quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Missa da Terra Sem Males

............Os povos Tupi, em geral, e os Guarani, em específico, têm como elemento forte de sua teologia a superação do sofrimento pela conquista da “terra sem males”. É a busca dos povos indígenas e de todos os pobres do mundo por uma terra livre da dor, do sofrimento e da morte. Este sonho foi experienciado e vivido nas Missões de nosso Estado, Argentina e Paraguai e destruído pela ganância e pelo colonialismo português e espanhol. Em 1978, no Brasil, celebrou-se o “Ano dos Mártires”, lembrando os trezentos e cinquenta anos dos três Mártires Riograndenses – Roque Gonzales, Afonso Rodriguez e João Castilho. O CIMI – Conselho Indigenista Missionário – achou que era de justiça que não se celebrasse apenas a morte dos três missionários jesuítas, mas também a morte de milhares de índios.
............No dia 7 de fevereiro de 1978 celebrou-se uma romaria até a Coxilha de Caiboaté (São Gabriel), onde no dia 10 de fevereiro de 1756 foram mortos 1.500 índios. Ali se fez uma Via Sacra Missioneira, presidida por D. Tomás Balduíno, então presidente do CIMI. Foi o início das Romarias da Terra, que se espalharam pelo Brasil. Ali nascia a ideia de uma Missa da Terra sem Males, que foi composta por D. Pedro Casaldaliga e Pedro Tierra (Hamilton Pereira da Silva) e musicada por Martin Coplas, argentino, descendente de quechua e aymara.
............Segundo Casaldaliga, “a missa da Terra Sem Males é ortodoxa. A missa respeita o esquema litúrgico. Não é um oratório apenas, menos ainda um show. É um texto musical e recitado, que ambienta e traduz indigenisticamente a Celebração Eucarística real”. Foi celebrada pela primeira vez na Catedral da Sé, em São Paulo, no dia 22 de abril de 1979, com a presença de quase quarenta bispos e sete mil fiéis, que lotaram a Catedral.
............Em 2016 iremos celebrar 260 anos da morte de Sepé e seus companheiros. Isso se deu em São Gabriel, já dentro da atual cidade, próximo da Rodoviária, na Sanga da Bica. Ali será celebrada, neste sábado, 7 de fevereiro, a Missa da Terra sem Males, com a presença de duzentos índios, apoiadores dos movimentos sociais e a participação de Martin Coplas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sinais e avisos de Deus

Um Olhar de Fé:
............Como é bom quando andamos por uma estrada, cheias de curvas e perigos ou não, que está bem sinalizada. Os sinais e avisos nos dão a segurança e a garantia de que, se os obedecermos, com certeza chegaremos salvos e felizes, ao nosso destino.
............Assim também com pessoas amigas e com familiares. Quando estes começam a tomar um caminho que achamos arriscado e perigoso, dizemos: “Cuidado, você vai se dar muito mal!” E isso não é uma ameaça nem “rogar uma praga”. Na verdade, estamos torcendo até para não termos razão. Ver pessoas amigas e familiares – ou não – se dando mal, “se lascando”, não é nenhum prazer e nenhuma vitória para nós.
............A sabedoria popular afirma que “é melhor prevenir do que remediar”. Para prevenir é preciso tomar cuidado, escolher caminhos mais seguros e, muitas vezes, ouvir os conselhos de gente experiente que gosta da gente.
............É bom lembrar disso quando lemos certos avisos de desgraças na Bíblia. Deus, como fazem certas pessoas que nos amam, não está querendo nos ameaçar ou assustar. Na verdade, está dizendo: “Cuidado com os perigos desta vida!” É recado para nos tornar prudentes, não medrosos e assustados...
............Não podemos ser imprudentes e inconsequentes, como se fôssemos donos de nossa vida, da vida dos outros e do mundo. Somos apenas administradores. Certa vez li num para-choque de caminhão: - “Não sou o dono do mundo, mas filho do Dono!” E filhos queridos, criados à sua imagem e semelhança, que não nos dá o direito de desperdiçar nossas vidas e oportunidades. Pelo contrário, nos dá mais responsabilidades conosco, com os outros, com o mundo e com o próprio Pai e Criador.
............Saibamos seguir, fielmente, os avisos e sinais de Deus. Assim, seremos todos felizes e abençoados e o mundo será melhor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A modernidade líquida

Um Olhar de fé:
............Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês nascido em 1925, que iniciou carreira na Universidade de Varsóvia. Publicou mais de quarenta livros, entre os quais Modernidade Líquida. O termo é novo, pois o livro foi publicado no ano de 2001, na virada do milênio. É o grande pensador da atualidade.
............O título da obra decorre da modernidade da sociedade que avança em vários sentidos, porém, questionável em suas atitudes e o seu contexto enquanto sociedade. A liquidez, a qual Bauman propõe vem do fato que os líquidos não têm uma forma, ou seja, são fluídos que se moldam conforme o recipiente nos quais estão contidos, diferentemente dos sólidos que são rígidos e precisam sofrer uma tensão de forças para moldar-se a novas formas.
............Modernidade líquida é um conceito para nossa atualidade incapaz de manter a forma. As relações, instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar. Nesse contexto, as vidas humanas são transformadas em objetos de consumo. O ser humano deixa de ser sujeito e passa a ser objeto na relação de compra e venda.
............O ser humano, ancorado no discurso consumista, vive a sua vida sem se questionar sobre o que realmente acontece à sua volta. Vive-a como espectador, não como protagonista. E num ambiente como o atual, o consumo aparece como resposta à satisfação das ansiedades dos indivíduos.
............Para Bauman, a nossa assim chamada pós-modernidade se caracteriza, antes de tudo, pela perda de solidez das antigas instituições, tradições e convicções. E aí surgem os efeitos negativos: as antigas organizações sociais mais estáveis dissolveram-se e as novas não oferecem a mesma estabilidade, pois elas “decompõem-se mais rápido que o tempo que leva para moldá-las”. Da mesma forma, as instituições tradicionais e os padrões comuns de comportamento perderam sua capacidade de pautar as normas individuais, pois tudo “se dissolve” no grande “viveiro de incertezas” que marca nossa modernidade avançada.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Chegou 2015!

Um Olhar de Fé:

............Ano novo, vida que continua. Com novos e renovados propósitos. O ano começa com o convite para rezarmos pela paz e pela fraternidade universal.
2015 será o ANO DA PAZ, anunciado pela Igreja Católica, preocupada com os índices de violência e insegurança no Brasil. Será um ano para orarmos pela paz, mas também de reflexão, atitudes e gestos. Criar uma cultura de paz entre nós.
............A Igreja Católica dedica este ano à Vida Consagrada, lembrando a vocação à vida religiosa, com seus valores e conselhos evangélicos. O Papa Francisco indicou três objetivos para o Ano da Vida Consagrada: olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança. Entre as expectativas, está a confirmação de que Deus pode encher a vida de alegria. O Papa também espera que os consagrados “despertem o mundo”, já que o que caracteriza a vida consagrada é a profecia, e que prevaleça a “espiritualidade da comunhão”.
............A Campanha da Fraternidade de 2015 tem por tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema: “Eu vim para servir (cf. Mc 10,45)”.
............Em 2015 comemora-se os 500 anos do nascimento de Santa Teresa D’Ávila (1515-1582). Trata-se de uma grande festa de ação de graças pelo dom da mística de Teresa D’Ávila, totalmente ofertado à Igreja, numa figura humana marcada pela graça da santidade, tão inteligente e capaz, a ponto de reformar e renovar o interior da Igreja, consciente de que a mesma, embora na sonhada busca pela perfeição, pureza e lisura, é uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão. Ela buscava incessantemente a vida interior, a qual tão bem descreveu como um castelo de sete moradas, no qual Deus habita no mais alto nível. Neste sentido, assim rezava: “Nada te perturbe. Nada te amedronte. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”
............Tendo iniciado em 2014, a ONU promove até 2024 a Década das Nações Unidas da Energia Sustentável para todos.
            Que seja um ano de bênçãos para todos nós!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Natal se aproxima

Um Olhar de Fé:
............Certamente, como já fizemos na Igreja Matriz e nas Capelas de nossas Comunidades, em muitas casas já foram armados os presépios, enfeitados com luzes, colocado algum símbolo de Advento e de Natal.  Às vezes, porém, enfeitamos tanto que nem nos damos conta de que o nascimento do Menino Deus se deu numa região rural, muito simples, num lugarejo sem muita importância.

............Em Belém, temos o símbolo de grandes realizações que Deus faz acontecer a partir dos pequenos. Na simplicidade da gruta, Deus se fez um de nós, assumindo nossa condição humana, menos o pecado. Em Belém, acontece a solidariedade, a partilha, a acolhida, a visitação.

............Em Nazaré, Jesus se faz família, se faz trabalhador, se faz gente como a gente. Ele já fez o que era preciso para a nossa salvação, mas as consequências disso se projetam num futuro melhor que todos precisamos construir com Ele, acolhendo a graça que Deus continua nos oferecendo.
............O mistério da encarnação nos aponta formas bem concretas de servir a Deus, valorizando o corpo humano como instrumento a serviço do Reino e como lugar onde se presta serviço a Deus e aos irmãos: “Quem acolhe um desses pequeninos é a Mim que acolhe”.
............O Natal se aproxima. Não podemos só preparar a ceia, a lista dos presentes, o amigo secreto, a lista dos convidados, os come-e-bebes... Precisamos nos dar conta de que, acima de tudo, Natal é Cristo.
............Os encontros de Advento, preparando o Natal, nos colocam neste clima. Nossas famílias estão sendo convidadas a rezar e a refletir em cima do tema “Vem, Senhor Jesus, o mundo precisa de ti”.  Não é possível ter uma vida digna, completa, feliz, plena, sem Deus. “Onde falta Deus, falta tudo”, diz a sabedoria popular. Acolhamos o Príncipe da Paz!

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Ter e ser referência

Um Olhar de fé:
............Os antigos navegantes usavam ou o sol ou a bússola como norte, como referência em suas navegações, para ter a direção certa de seus caminhos. Hoje, estamos mais modernos, e usamos o GPS, que dá as coordenadas.
............No caminho da vida muitas vezes precisamos de alguém que nos oriente, sobretudo nas grandes encruzilhadas. Podemos até olhar para trás e lembrar pessoas que nos deram conselhos, que nos ajudaram a tomar uma decisão importante, que nos chamaram a atenção quando falhamos ou nos avisaram quando corríamos algum risco. Muitas dessas pessoas provavelmente já não fazem parte da nossa convivência hoje, mas podemos dizer, com toda certeza, que elas fazem parte da nossa vida e da nossa história.
............Certamente vamos lembrar, até com remorso e tristeza, de alguma ocasião em que alguém nos deu um conselho, visando o nosso bem, mas não lhe demos ouvidos. Fizemos o que nos deu na cabeça e, depois de “dar com os burros n’água”, tivemos que admitir que a pessoa tinha razão. Quando é uma coisa mais simples, sem maiores consequências, não nos custa corrigir. Mas às vezes entramos por um “beco sem saída” tão grande que fica complicado acertar o caminho ou consertar o estrago. Mas se nessas horas surge alguém que nos ponte uma saída, é um alívio.
............Assim podemos entender o papel de João Batista, o Precursor. Ele surgiu num momento em que o povo estava perdido e não conseguia achar o caminho. Muitos até já teriam se esquecido de Deus prometera libertar o seu povo, enviando um Salvador, o Messias. Imbuído do espírito de Deus, João percebia que o tempo messiânico já estava às portas, mas o povo não parecia estar “nem aí”... Por isso, pôs-se a chamar, a convocar para a conversão, a apontar o caminho que leva ao encontro do Messias.
............Se tivermos conseguido fazer com que alguém que andava perdido na vida tenha encontrado o seu caminho, já terá valido a pena viver.
............João Batista aponta o caminho, mas a decisão de caminhar é nossa.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A espera é melhor que a festa

Um Olhar de Fé:
............A vida é curta, mas é bela. Ela é feita de acontecimentos, pessoas, emoções, decepções, vitórias, derrotas, perseverança.
............A vida não é uma reta, nos lembra o cronista Davi Coimbra. Está sempre acontecendo, sempre no gerúndio e sempre fazendo curvas inesperadas. Por isso precisamos sempre estar muito atentos e preparar a direção de nossa vida e fazer com que os fatos se tornem mais agradáveis.
............Gosto muito do Natal. Mas mais ainda do Advento. Estranho? Não! O melhor da festa é a sua preparação. E toda festa bem preparada, já é a festa. A festa é a consequência da sua preparação. Se ficarmos somente na esta e nela colocarmos todo o nosso êxito, será algo passageiro, como os enfeites e luzes e natalinas.
............Os agricultores sabem que a colheita começa na preparação da terra, na escolha da semente, no cuidado durante a brotação, crescimento e floração. A colheita é consequência de um bom planejamento e de boas escolhas, de muito trabalho, disciplina e perseverança. Não é uma questão de sorte ou destino.
............Assim a nossa vida. Assim o Natal. Estes dias que antecedem a festa natalina não podem nos absorver somente nas coisas materiais, mas sim no verdadeiro sentido do Natal.
............O livro dos encontros de Advento nos diz que “o Natal é uma fonte de esperança. Como fonte, só conseguirá atingir seus objetivos se ele matar a sede e abastecer as pessoas, transformando-as em outras tantas fontes de vida. Se, dois mil anos atrás, Deus amou tanto o mundo, hoje Ele não o amará menos. É importante deixar-se envolver por essa realidade e permitir que o desejo pelo Reino de Deus se torne ardente.”
............O desafio é aprofundar nosso desejo de vida plena para todas as pessoas. Para que isso aconteça, é preciso estar atento e vigilante, participando ativamente da preparação do Natal.