terça-feira, 3 de março de 2015

Presença e ação da Igreja na sociedade

Um Olhar de Fé:
            O tema da Campanha da Fraternidade 2015 nos mostra que há uma relação muito estreita entre a missão específica da Igreja, recebida de Cristo, de anunciar a Boa Nova da Salvação a todos os povos, e a responsabilidade de colaborar com a sociedade. O compromisso com a sociedade faz parte da sua missão. Não há oposição entre compromissos sociais e vida religiosa.
            No documento Gaudium et Spes (Alegria e esperança), do concílio vaticano II,  que trata da sua presença e da sua ação no mundo, a Igreja afirma claramente a relação entre sua missão específica e a sociedade e adverte: “o cristão que descuida dos seus deveres temporais falta aos seus deveres para com o próximo e até para com o próprio Deus, e põe em risco a sua salvação eterna” (GS 43).
            Na homilia na Ilha de Lampedusa, Papa Francisco denunciou a globalização da indiferença perante o drama dos que buscam desesperadamente a sobrevivência.
            Na América Latina, a partir do Vaticano II, a Igreja faz a antiga e sempre nova evangélica opção preferencial pelos pobres.
            As atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil apontam cinco urgências. A quinta, o serviço da vida plena para todos, indica desdobramentos para o cuidado e a proteção da dignidade humana em todas as etapas da sua existência, com a família (crianças, adolescentes, jovens, idosos) com os trabalhadores, com os migrantes, com o respeito às diferenças, com o combate ao preconceito e à discriminação, com o apoio a iniciativas de inclusão social dos indígenas e afrodescendentes, entre outros.
            No diálogo e colaboração com a sociedade, a Igreja segue três critérios: a dignidade da pessoa humana, o bem comum e a justiça social.
            A realização do bem comum se dá pela promoção e defesa da justiça social.
            À luz do Evangelho e diante da realidade própria de cada tempo e lugar, a Igreja é permanentemente desafiada à conversão. Conversão missionária, que a mantenha sempre “em saída” ao encontro de todos os que podem se encontrar em desorientação e vazio interior na sociedade.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Uma campanha para servir

Um Olhar de Fé:
............Durante do tempo Quaresma, a Igreja Católica no Brasil propõe a vivência de uma campanha para aumentar a fraternidade, dentro do espírito da vivência quaresmal, na caminhada para a Páscoa.
............Em 2015, o tema escolhido foi “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, com o lema “Eu vim para servir”, inspirado em Marcos 10,45.
............O objetivo geral é “aprofundar, à luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.”
............Os objetivos específicos propostos são estes:
............1. Fazer memória do caminho percorrido pela Igreja com a sociedade, identificar e compreender os principais desafios da situação atual.
............2. Apresentar os valores espirituais do Reino de Deus e da doutrina Social da Igreja,
............3. Identificar as questões desafiadoras na evangelização da sociedade e estabelecer parâmetros e indicadores para a ação pastoral.
............4. Aprofundar a compreensão da dignidade da pessoa, da integridade da criação, da cultura da paz, do espírito e do diálogo inter-religioso e intercultural, para superar as relações desumanas e violentas.
............5. Buscar novos métodos, atitudes e linguagens na missão da Igreja de Cristo de levar a Boa Nova a cada pessoa, família e sociedade.
............6. Atuar profeticamente, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para o desenvolvimento integral da pessoa e na construção de uma sociedade justa e solidária.
............Só a fraternidade é capaz de construir a paz. E os cristãos precisam levar a cultura da paz para dentro da sociedade. Impregnar toda a sociedade com o perfume de Deus, dos valores do Evangelho, do Mandamento Novo, o “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.       
............E o grande ensinamento-exemplo que o Mestre nos dá é que só seremos grandes quando servimos os nossos semelhantes. Este é o caminho para a paz e para um outro mundo possível.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O tempo

Um Olhar de Fé:
............Vivemos numa época em que mudou a época. Quando alguém começa a querer comparar o hoje com o ontem, dizendo que “no meu tempo era assim”, “no meu tempo que era bom”, aí significa que estamos ficando velhos e não adaptados às mudanças.
............Precisamos sempre nos adaptar ao hoje, à realidade e às mudanças. Isso não significa passar por cima do passado ou esquecer os seus valores. Pelo contrário, precisamos olhar para o passado, como no retrovisor de um carro, mas olhar em frente, construindo um mundo de acordo com as lições e erros passados.
............O mundo não começou conosco. Sabe-se que ao menos há doze mil anos existe a presença de vida humana em nossa América do Sul. Não somos os descobridores da América, portanto. E o mundo também não acabará conosco.
............Na Missa da Terra sem Males, três palavras fortes são lembradas e repetidas: MEMÓRIA – REMORSO – COMPROMISSO. 
............A MEMÓRIA é a história de nossas lutas, conquistas e sofrimentos. O REMORSO é a recordação dos erros, dos abusos, da prepotência, do preconceito, da escravidão, da opressão, do colonialismo, das matanças; e disso sentir remorso e pedir perdão. O COMPROMISSO é o assumir a transformação desta realidade passada, para que NUNCA MAIS aconteça. Compromisso com uma vida de fraternidade e liberdade, onde a humildade seja nossa grande virtude.
............Lembro-me de ter acompanhado uma entrevista de Dom Hélder Câmara Perguntaram-lhe qual época e qual tempo gostaria de ter vivido. E ele responder que era exatamente neste tempo e nesta época, pois se Deus nos colocou no mundo, aqui e agora, é porque aqui e agora temos que viver nossa missão.
............O melhor tempo é o que vivemos. A melhor época é a que fazemos. O melhor lugar é onde vivemos e onde estamos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Missa da Terra Sem Males

............Os povos Tupi, em geral, e os Guarani, em específico, têm como elemento forte de sua teologia a superação do sofrimento pela conquista da “terra sem males”. É a busca dos povos indígenas e de todos os pobres do mundo por uma terra livre da dor, do sofrimento e da morte. Este sonho foi experienciado e vivido nas Missões de nosso Estado, Argentina e Paraguai e destruído pela ganância e pelo colonialismo português e espanhol. Em 1978, no Brasil, celebrou-se o “Ano dos Mártires”, lembrando os trezentos e cinquenta anos dos três Mártires Riograndenses – Roque Gonzales, Afonso Rodriguez e João Castilho. O CIMI – Conselho Indigenista Missionário – achou que era de justiça que não se celebrasse apenas a morte dos três missionários jesuítas, mas também a morte de milhares de índios.
............No dia 7 de fevereiro de 1978 celebrou-se uma romaria até a Coxilha de Caiboaté (São Gabriel), onde no dia 10 de fevereiro de 1756 foram mortos 1.500 índios. Ali se fez uma Via Sacra Missioneira, presidida por D. Tomás Balduíno, então presidente do CIMI. Foi o início das Romarias da Terra, que se espalharam pelo Brasil. Ali nascia a ideia de uma Missa da Terra sem Males, que foi composta por D. Pedro Casaldaliga e Pedro Tierra (Hamilton Pereira da Silva) e musicada por Martin Coplas, argentino, descendente de quechua e aymara.
............Segundo Casaldaliga, “a missa da Terra Sem Males é ortodoxa. A missa respeita o esquema litúrgico. Não é um oratório apenas, menos ainda um show. É um texto musical e recitado, que ambienta e traduz indigenisticamente a Celebração Eucarística real”. Foi celebrada pela primeira vez na Catedral da Sé, em São Paulo, no dia 22 de abril de 1979, com a presença de quase quarenta bispos e sete mil fiéis, que lotaram a Catedral.
............Em 2016 iremos celebrar 260 anos da morte de Sepé e seus companheiros. Isso se deu em São Gabriel, já dentro da atual cidade, próximo da Rodoviária, na Sanga da Bica. Ali será celebrada, neste sábado, 7 de fevereiro, a Missa da Terra sem Males, com a presença de duzentos índios, apoiadores dos movimentos sociais e a participação de Martin Coplas.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sinais e avisos de Deus

Um Olhar de Fé:
............Como é bom quando andamos por uma estrada, cheias de curvas e perigos ou não, que está bem sinalizada. Os sinais e avisos nos dão a segurança e a garantia de que, se os obedecermos, com certeza chegaremos salvos e felizes, ao nosso destino.
............Assim também com pessoas amigas e com familiares. Quando estes começam a tomar um caminho que achamos arriscado e perigoso, dizemos: “Cuidado, você vai se dar muito mal!” E isso não é uma ameaça nem “rogar uma praga”. Na verdade, estamos torcendo até para não termos razão. Ver pessoas amigas e familiares – ou não – se dando mal, “se lascando”, não é nenhum prazer e nenhuma vitória para nós.
............A sabedoria popular afirma que “é melhor prevenir do que remediar”. Para prevenir é preciso tomar cuidado, escolher caminhos mais seguros e, muitas vezes, ouvir os conselhos de gente experiente que gosta da gente.
............É bom lembrar disso quando lemos certos avisos de desgraças na Bíblia. Deus, como fazem certas pessoas que nos amam, não está querendo nos ameaçar ou assustar. Na verdade, está dizendo: “Cuidado com os perigos desta vida!” É recado para nos tornar prudentes, não medrosos e assustados...
............Não podemos ser imprudentes e inconsequentes, como se fôssemos donos de nossa vida, da vida dos outros e do mundo. Somos apenas administradores. Certa vez li num para-choque de caminhão: - “Não sou o dono do mundo, mas filho do Dono!” E filhos queridos, criados à sua imagem e semelhança, que não nos dá o direito de desperdiçar nossas vidas e oportunidades. Pelo contrário, nos dá mais responsabilidades conosco, com os outros, com o mundo e com o próprio Pai e Criador.
............Saibamos seguir, fielmente, os avisos e sinais de Deus. Assim, seremos todos felizes e abençoados e o mundo será melhor.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A modernidade líquida

Um Olhar de fé:
............Zygmunt Bauman é um sociólogo polonês nascido em 1925, que iniciou carreira na Universidade de Varsóvia. Publicou mais de quarenta livros, entre os quais Modernidade Líquida. O termo é novo, pois o livro foi publicado no ano de 2001, na virada do milênio. É o grande pensador da atualidade.
............O título da obra decorre da modernidade da sociedade que avança em vários sentidos, porém, questionável em suas atitudes e o seu contexto enquanto sociedade. A liquidez, a qual Bauman propõe vem do fato que os líquidos não têm uma forma, ou seja, são fluídos que se moldam conforme o recipiente nos quais estão contidos, diferentemente dos sólidos que são rígidos e precisam sofrer uma tensão de forças para moldar-se a novas formas.
............Modernidade líquida é um conceito para nossa atualidade incapaz de manter a forma. As relações, instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar. Nesse contexto, as vidas humanas são transformadas em objetos de consumo. O ser humano deixa de ser sujeito e passa a ser objeto na relação de compra e venda.
............O ser humano, ancorado no discurso consumista, vive a sua vida sem se questionar sobre o que realmente acontece à sua volta. Vive-a como espectador, não como protagonista. E num ambiente como o atual, o consumo aparece como resposta à satisfação das ansiedades dos indivíduos.
............Para Bauman, a nossa assim chamada pós-modernidade se caracteriza, antes de tudo, pela perda de solidez das antigas instituições, tradições e convicções. E aí surgem os efeitos negativos: as antigas organizações sociais mais estáveis dissolveram-se e as novas não oferecem a mesma estabilidade, pois elas “decompõem-se mais rápido que o tempo que leva para moldá-las”. Da mesma forma, as instituições tradicionais e os padrões comuns de comportamento perderam sua capacidade de pautar as normas individuais, pois tudo “se dissolve” no grande “viveiro de incertezas” que marca nossa modernidade avançada.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Chegou 2015!

Um Olhar de Fé:

............Ano novo, vida que continua. Com novos e renovados propósitos. O ano começa com o convite para rezarmos pela paz e pela fraternidade universal.
2015 será o ANO DA PAZ, anunciado pela Igreja Católica, preocupada com os índices de violência e insegurança no Brasil. Será um ano para orarmos pela paz, mas também de reflexão, atitudes e gestos. Criar uma cultura de paz entre nós.
............A Igreja Católica dedica este ano à Vida Consagrada, lembrando a vocação à vida religiosa, com seus valores e conselhos evangélicos. O Papa Francisco indicou três objetivos para o Ano da Vida Consagrada: olhar para o passado com gratidão, viver o presente com paixão e abraçar o futuro com esperança. Entre as expectativas, está a confirmação de que Deus pode encher a vida de alegria. O Papa também espera que os consagrados “despertem o mundo”, já que o que caracteriza a vida consagrada é a profecia, e que prevaleça a “espiritualidade da comunhão”.
............A Campanha da Fraternidade de 2015 tem por tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade” e o lema: “Eu vim para servir (cf. Mc 10,45)”.
............Em 2015 comemora-se os 500 anos do nascimento de Santa Teresa D’Ávila (1515-1582). Trata-se de uma grande festa de ação de graças pelo dom da mística de Teresa D’Ávila, totalmente ofertado à Igreja, numa figura humana marcada pela graça da santidade, tão inteligente e capaz, a ponto de reformar e renovar o interior da Igreja, consciente de que a mesma, embora na sonhada busca pela perfeição, pureza e lisura, é uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão. Ela buscava incessantemente a vida interior, a qual tão bem descreveu como um castelo de sete moradas, no qual Deus habita no mais alto nível. Neste sentido, assim rezava: “Nada te perturbe. Nada te amedronte. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”
............Tendo iniciado em 2014, a ONU promove até 2024 a Década das Nações Unidas da Energia Sustentável para todos.
            Que seja um ano de bênçãos para todos nós!