terça-feira, 25 de outubro de 2016

Humildade e arrogância

Um Olhar de Fé:
............A oração é o combustível da vida cristã e de sua ação solidária. Só o combustível não faz um carro andar. Só a oração não faz o cristão viver. É uma série de fatores que fazem parte, como num corpo. Ou num carro. Tudo está interligado.
............O requisito principal para uma boa oração é a humildade e a perseverança. Estas duas características estão  entrelaçadas, pois só é perseverante quem é humilde. Somente os humildes não desistem de esperar que suas orações sejam atendidas.
............A diferença entre o humilde e o arrogante é muito grande, como tão bem exemplificou Jesus na Parábola do Fariseu e do Publicano. O humilde pede, o arrogante exige que seu pedido seja atendido. O humilde está a serviço de Deus e se coloca diante Dele como servo. O arrogante quer ser servido por Deus e se coloca diante Dele como alguém merecedor das recompensas pelos seus atos.
............Humildade vem de húmus, que significa terra, adubo. Ser humilde é sempre lembrar-se que devemos estar ligados ao chão, diferente do arrogante, que é exibido, autossuficiente, convencido. Ele acha que é superior e melhor que tudo e que todos.
............O humilde se reconhece pecador, necessitado de Deus e dos outros. Sabe que sozinho nada pode e nada é. Só quem se reconhece pecador tem como melhorar, só quem se reconhece pecador experimenta a ternura de Deus, que nos ama apesar de tudo.
............Sejamos sempre humildes buscadores e aprendizes do amor e da graça de Deus, deixando-nos guiar pela sua misericórdia.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Missão na ecologia

Um Olhar de Fé:
............Estamos, neste mês de outubro, dedicado à reflexão sobre as Missões, voltando ao tema da Campanha da Fraternidade: o cuidado pela vida no planeta.
............Cada vez mais nos damos conta que o mundo é a casa de todos e que cada um é responsável por esta casa. A própria palavra “ecologia” significa “arrumação da casa”. Missão na ecologia é “arrumação da casa para os filhos e filhas de Deus”.
............A consciência de que o progresso deve ter limites aumenta cada vez mais entre nós, pois a natureza tem também seus recursos limitados e muitos não renováveis, como já nos alertava o Clube de Roma em 1972, quando publicou um estudo sobre os “Limites do Crescimento”. O padrão de consumo americano ou europeu não pode e não deve ser modelo para o mundo, que entraria em colapso se assim o fizesse.
............Em 2011, alguns fatos trouxeram reflexões para nossas vidas. Lembro o movimento iniciado em Barcelona, na Espanha, chamado M-15 ou “os indignados”. A revolta em Londres, com quebra-quebra e saques. Ambos fizeram os analistas dizer que uma parcela da população mundial não está satisfeita com a maneira como estão tratando a economia, a política, a questão social. Em outras palavras: há todo um movimento, que já é mundial, de “indignação” de como estamos “arrumando a nossa casa”.
............A cobiça humana e o progresso devem ter um limite. Não podemos só tirar os bens da natureza ou colocar o objetivo de uma nação no saque dos recursos naturais. As empresas não estão produzindo o petróleo, mas apenas extraindo reservas naturais que pertencem ao planeta. O mesmo se dá no caso da destruição florestal, da destruição da vida marítima, da poluição das águas... As empresas exploram sem produzir, apenas extraem. E isso que vem quase de graça, dá muito dinheiro. Há um imenso segmento da economia mundial que está baseado simplesmente em destruir as bases de sobrevivência do planeta, sobretudo das gerações futuras.
............É preciso mudar: ou mudamos, ou vamos todos morrer! Cuidar da Casa Comum é a nossa missão!

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Ano Nacional Mariano



Em comemoração aos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, nas Águas do Rio Paraíba do Sul, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil proclamou um Ano Nacional Mariano. A iniciativa será celebrada a partir do dia 12 de outubro até o dia 11 de outubro de 2017.
O texto divulgado pela CNBB convida a todos para celebrar, fazer memória e agradecer.
“Como no episódio da pesca milagrosa narrada pelos Evangelhos, também os nossos pescadores passaram pela experiência do insucesso. Mas, também eles, perseverando em seu trabalho, receberam um dom muito maior do que poderiam esperar: “Deus ofereceu ao Brasil a sua própria Mãe”. Tendo acolhido o sinal que Deus lhes tinha dado, os pescadores tornam-se missionários, partilhando com os vizinhos a graça recebida. Trata-se de uma lição sobre a missão da Igreja no mundo: “O resultado do trabalho pastoral não se assenta na riqueza dos recursos, mas na criatividade do amor” (Papa Francisco).
A celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças. Todas as dioceses do Brasil, desde 2014, se preparam, recebendo a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida, que percorre cidades e periferias, lembrando aos pobres e abandonados que eles são os prediletos do coração misericordioso de Deus.
O Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor desta devoção e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5).
Todas as famílias e comunidades são convidadas a participar intensamente desse Ano Mariano.
A companhia e a proteção maternal de Nossa Senhora Aparecida nos ajude a progredir como discípulas e discípulos, missionárias e missionários de Cristo!”



terça-feira, 27 de setembro de 2016

Política: vocação ou profissão?

Um Olhar de Fé:

............No final da Primeira Guerra Mundial, o filósofo alemão Max Weber fez uma notável conferência aos estudantes de Munique e que foi publicado em 1919, texto clássico conhecido como “A política como vocação”.
............Em tempos de eleições sempre é muito bom retomar este e outros textos, para entendermos o real sentido da política. E entre outras coisas, Max Weber reflete sobre viver “da” e “para” a política. Ele diferencia dois tipos essenciais de políticos: os que vivem para a política e os que vivem da política. O político que vive da política é aquele que não possui recursos materiais para a sua subsistência para além dos recursos provindos da própria atividade política. Sua atuação pública se confunde com uma luta não apenas por ideais comuns ou interesses de classes, mas também pela conquista de meios de conseguir renda, o que de alguma forma prejudica a capacidade de distanciamento para a análise racional dos problemas de seu cotidiano enquanto profissional da política. Este seria o político profissional, que faz do cargo e do voto uma verdadeira profissão, fazendo de tudo para manter-se no cargo (leia-se: emprego).
............Já o político que vive para a política representaria o tipo ideal no âmbito de atributos do político vocacionado, pois sua independência diante da remuneração própria da atividade política significa, também, uma independência de seus objetivos no decorrer da vida pública. Sua conduta pode estar voltada para a busca de prestígio, honra, ideais, ou até mesmo do “poder pelo poder”, mas não tomaria como prioridade a busca por recompensas financeiras em decorrência da profissão política, pois já disporia de recursos materiais suficientes.
............Para o Ensino Social da Igreja, a política é necessária e, quando bem feita, é o melhor jeito de se fazer caridade. Ela deve ser uma vocação, e não uma profissão. Ela não vive para si mesma, mas para os outros. Papa Francisco tem dito que sua grande missão é realizar a caridade, principalmente para com os mais fragilizados e com os vulneráveis da sociedade.

............Quem vive da política é um profissional e vai pensar sempre no seu próprio bem comum. Quem vive para a política é um vocacionado e vai pensar primeiro no bem comum de todos.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Dez mandamentos do Trânsito

Um Olhar de Fé:


............Na Semana Nacional do Trânsito – “Eu Sou + um por um trânsito + seguro” – aproveitamos para divulgar os dez mandamentos do motorista católico, publicados pelo Vaticano, estendendo as recomendações a todos os motoristas, independente da orientação religiosa.
............O número de mortes nas rodovias federais do país preocupa as autoridades. Trata-se de uma violência surda, diária, que passa despercebida da sociedade. Temos convicção de que a educação e a conscientização são os grandes instrumentos ao alcance de nossas mãos

           
1. Não matarás – o carro é um instrumento a serviço da vida, da convivência e do progresso. Vamos proteger a vida e as leis do trânsito.
           
2. A estrada deve ser para ti um meio de conexão entre pessoas, não de morte – as estradas são construídas para aproximar as pessoas e favorecer a promoção humana. Vamos defender a vida com amor e colaboração, também no trânsito.
           
3. Cortesia, correção e prudência para te ajudar a superar os imprevistos – manter o clima de respeito e amor ao outro.
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4. Ajudar o próximo, especialmente vítimas de acidentes – não nos cansemos de fazer o bem.
           
5. Que o automóvel não seja um lugar de expressão de poder e dominação, nem de pecado – o bom uso do carro depende das boas intenções do motorista.
           
6. Convencer os jovens sem licença a não dirigir – o bom senso é o princípio indispensável no discernimento sobre as condições de dirigir.
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7. Dar apoio às famílias que tenham parentes vítimas de acidentes – o que você gostaria que lhe fizessem procure fazer aos outros.
           
8. Una motoristas culpados e suas vítimas, no momento oportuno, para que possam passar pela libertadora experiência do perdão – só o perdão liberta e promove a paz e a justiça.
           
9. Na estrada, proteja o mais vulnerável – o cuidado pela vida, sobretudo a dos mais fracos, é a maior expressão de grandeza de um coração que sabe amar.
           
10. Sinta-se responsável pelos outros – ninguém é mais do que ninguém, mas todos somos menos sem o outro. Somos mutuamente responsáveis pela vida e pela paz nas estradas. Seja solidário!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Em tempo de profecia

Um Olhar de Fé:
............Quem é profeta? O que é ser profeta? Ao contrário do que alguns dizem, não é alguém capaz de predizer o futuro, mas sim aquele que fala no lugar de outro, um porta-voz.
............Na Bíblia o profetismo tem seu grande início com Elias, mas já antecipado em Abraão, Moisés, Débora... Existem os profetas não escritores, como Natã, Samuel, Elias, Eliseu, profetisa Hulda, etc; e os profetas escritores, cujos nomes foram dados a um livro, como Isaías, Jeremias, Oseias, Miqueias, etc...
............A profecia se exerce de três maneiras:
1 – Pelo anúncio: o profeta como “porta-voz” de Deus, é aquele que faz o anúncio da Boa Nova do Evangelho e do Reino de Deus, mostrando qual o projeto de Deus e qual é o Plano de Salvação.
2 – Pela denúncia: vai contra tudo aquilo que é contrário à vida e à fraternidade. O profeta, como “boca de Deus”, denuncia toda injustiça e opressão, toda maldade e escravidão. Bota a boca no trombone.
3 – Pelo testemunho: é pessoa da coerência. Por isso, dá testemunho de vida. Não só anuncia e denuncia, mas vive o que acredita e prega. Grita com a vida o Evangelho!
............Carlos Moraes, lavrense, que quando no exercício do ministério sacerdotal atuava em Dom Pedrito, como padre da Diocese de Bagé, escreveu que “o profeta e um homem alto que mora no porão”. Ser profeta é ser incômodo. Ninguém gosta do profeta, principalmente os reis. Na Bíblia, o conflito entre profetismo e monarquia é constante.
............A profecia é necessária. Na Igreja e na sociedade, embora incômoda. Ajuda a não perder o rumo, a lembrar o que Deus quer de nós, por onde temos que andar. Evita a acomodação e a corrupção, os desvios e as falcatruas.
............É como escreve o Profeta Miqueias: “Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus” (Mq 6,8).

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Santa Teresa de Calcutá

Um Olhar de Fé:


............O Papa Francisco, ao canonizar Santa Teresa de Calcutá, fixou o dia 5 de setembro para comemorá-la. Uma pessoa e uma data a serem lembradas todos os anos, todos os dias. Hoje quero trazer algumas frases que ela pronunciou ao longo de sua vida, que se somam às ações de misericórdia que ela realizou, ela que a santa da caridade, a santa da misericórdia:
............“Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz.”
............ “É fácil amar os que estão longe. Mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado.”
............“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.”
............“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”
 ............“O senhor não daria banho a um leproso nem por um milhão de dólares? Eu também não. Só por amor se pode dar banho a um leproso.”
 ............“As palavras de amizade e conforto podem ser curtas e sucintas, mas o seu eco é infindável.”
 ............“Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão.”
............ “A falta de amor é a maior de todas as pobrezas.”
............“Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor.”
............“O que eu faço é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor.”
............“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”
............“Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade.”
............“A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração.”
............“O dever é uma coisa muito pessoal; decorre da necessidade de se entrar em ação, e não da necessidade de insistir com os outros para que façam qualquer coisa.”
............“Não é o quanto fazemos, mas quanto amor colocamos naquilo que fazemos. Não é o quanto damos, mas quanto amor colocamos em dar.”
............“Seja fiel nas pequenas coisas porque é nelas que mora a sua força.”
............“Palavras gentis podem ser curtas e fáceis de falar, mas seus ecos são verdadeiramente infinitos.”
............“Para manter uma lamparina acesa, precisamos continuar colocando óleo nela.”

............“O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o.”