terça-feira, 22 de agosto de 2017

Perguntas e respostas

Um Olhar de Fé:

Quem estuda filosofia aprende a pensar, perguntar e responder. Dizem que uma pergunta bem feita já é a metade da resposta. Na verdade, ao perguntar já começamos a desconfiar onde queremos chegar, pois atrás de uma pergunta sempre tem uma intenção.

A pessoa se revela pelas perguntas que faz: elas mostram que inquietações a pessoa tem, o que ela considera importante, até aonde foi caminhando o seu raciocínio. Há perguntas que são afirmações disfarçadas. Imaginemos alguém que pergunta: - Você quer casar comigo? Mais do que uma pergunta, a pessoa está revelando um anseio.

No rádio jornalismo, o entrevistador que conduz as perguntas sempre demonstra o seu lado, o seu conhecimento (ou não) e a sua tendência.

Há pessoas que perguntam pouco, seja porque são tímidas ou porque não se deixaram provocar pela vida a ponte de formular questionamentos. Que pena! Nada ensina tanto como uma pergunta. As crianças, que precisam aprender muito em poucos anos, são naturalmente “perguntadeiras”. Há quem prefira que elas fiquem caladas, há quem ache que pergunta incomoda. E é verdade. Incomoda mesmo! Mas são os inquietos, os que incomodam, que levam o mundo para a frente.

Os grandes sábios nos alertam para o perigo de pensar que sabemos tudo. Dizem que o verdadeiro sábio é o que sinceramente reconhece, como Sócrates, o pai da filosofia: só sei que nada sei. Quanto mais sabemos, mais sabemos que temos que saber, isto é, reconhecemos que temos ainda muito mais a aprender. O saber leva a buscar mais saber, com humildade e sinceridade.

Isto nos mantém a mente aberta para acolher novas e surpreendentes revelações que a vida gosta de fazer. Quem pensa que sabe não pergunta, não ouve, não percebe o novo que vem chegando.

Disse um poeta:

“Quando a realidade decreta ponto final,
a Vida coloca ponto e vírgula.
Quando uma possibilidade se esgota,
outra nasce dela e é inaugurada.”
            (Benjamin Gonzalez Buelta,
Salmos nas margens da cultura e do mistério. Paulinas)

Os discípulos de Jesus pensavam que sabiam muito sobre Deus, o Messias, o cumprimento das antigas promessas. E Ele resolve fazer perguntas sobre o que pensavam a seu respeito. E ficou claro, pelas respostas recolhidas, que o povo não sabia direito o que esperava e o que dizia. E aí aparece a sabedoria do Mestre, na pergunta fundamental para aqueles discípulos e para todos os seus seguidores, em todos os tempos: -E vós, quem dizeis que eu sou?

A graça de Deus nos inspira respostas. Pedro deu a resposta que Jesus queria ouvir. E louva ao Pai por isso. Deus inspira, questiona, chama, dá a oportunidade, mas não impõe; é necessário abrir-se ao dom.

            Se a graça de Deus não me segurasse pelos cabelos,
            meu epitáfio seria ridículo:
            Afogado num copo d’água que nem ao menos estava cheio.

(D. Hélder Câmara - Mil Razões para viver –
Ed. Civilização Brasileira).

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Semana da Família

        A semana que segue o Dia dos Pais é, no Brasil, a Semana Nacional da Família, evento organizado pela Igreja Católica, através da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
            Cada ano é escolhido um tema e um lema, Em 2017, “Família, uma luz para a sociedade” e “Vós sois a luz do mundo”, respectivamente.
            O tema, inspirado no Papa Francisco, nos lembra que um dos males do nosso tempo é que não sabemos mais escutar. Só queremos falar, dar nossa opinião, e não atendemos ao que outros nos dizem ou partilham. Ser família é saber escutar, partilhar, dialogar, ter tempo para o outro, a outra, os filhos, os pais.
          Vivemos numa sociedade que herdou, do liberalismo econômico, a expressão do “laissez faire, laissez aller, laissez passer”, que significa literalmente “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Esta versão mais pura do Capitalismo diz que o mercado deve funcionar livremente, sem interferência. Transformou-se no provérbio fisiocrata: Laissez faire, laissez passer, le monde va de lui même [“Deixe fazer, deixe passar, o mundo vai por si mesmo.”]. É similar ao provérbio popular de origem francesa: “Louvo todos os deuses, bebo meu bom vinho, e deixo o mundo ser mundo!” No popular brasileiro: “Deixa a vida me levar; vida, leva eu!”
        Esta mentalidade entrou também nas relações entre as pessoas, principalmente no seio das famílias. É a mentalidade em que a vontade de cada um deve prevalecer sobre o todo, ou seja, a parte é mais importante que o todo. É uma mentalidade que corrói as estruturas familiares e os valores, pois o que importa agora é o “eu”, a minha vontade, a minha liberdade, o meu prazer. Bom é aquilo que me dá prazer, é o slogan.
         Isso leva a uma confusão entre liberdade e libertinagem. Entre o que é certo e o que errado. Entre o que é valor e o que o que não é valor. São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, já falava a respeito: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém” (1 Cor 6,12).
        Outro dia recebi uma charge pelas redes sociais, que mostrava um casal celebrando sessenta anos de casamento e a netinha, meio incrédula, perguntado para a vó como ela aguentou tanto tempo. E a vó respondeu: - Eu sou do tempo em que, quando alguma coisa quebrava, a gente não jogava fora, mas consertava!
           Precisamos rever nossas atitudes e mentalidades. Precisamos voltar aos valores mais permanentes e deixar o descartável de lado. Sob pena de sermos também nós e todos os valores construídos serem descartados. E apostar na família, nas relações duradouras, nas opções maduras, nas renúncias e fidelidades.
            Liberdade sim, libertinagem não! Vida sim, violência não!
           Que as famílias sejam uma luz para a vida em sociedade, como nos pede o Papa Francisco. E que redescubramos a beleza da família e a alegria do amor.




quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Deus parou de chamar?


            A vida é dinâmica. Está em constante mudança. E o ser humano tem a grande capacidade de se adaptar ao tempo e ao espaço. “Eu sou eu e minhas circunstâncias”, dizia o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset. Não podemos viver sem a realidade que nos rodeia e o tempo e o espaço que nos acolhe. O ontem já foi, o hoje vivemos e o amanhã devemos preparar.
            Dentro da reflexão vocacional, somos tentados a pensar que Deus parou de chamar operários para sua messe, pois parece que os operários estão diminuindo. Seria verdade? Deus parou mesmo de chamar?
            E a resposta parece clara: não! Deus não parou de chamar. Ele continua chamando, planta diariamente no coração de muitos um convite especial: “Vem e segue-me!”
            Não falta chamado: falta adesão, falta coragem, falta coração atento, faltam ouvidos afiados. No mundo de hoje são tantas as vozes que chamam, são tantas as propostas, que o convite de amor de Deus acaba por não ser ouvido, e mesmo que o jovem o ouça, é grande a dificuldade em dizer o sim.
            Não foram somente as vocações sacerdotais e ou religiosas que aparentemente diminuíram. Foram também os números de casamentos e o número de filhos. Qual a causa? Ouve-se as pessoas, especialmente os mais jovens, falar que “para sempre” é muito tempo. Parece que um compromisso por uma vida toda assusta muitos.
            A mentalidade presente em nossa sociedade é o do “ficar”, viver o hoje sem tantas responsabilidades e ou compromissos. É uma mentalidade do descartável, do usar enquanto convém, do estar junto enquanto nos dá prazer. O Papa Francisco sempre nos alerta para o perigo de um mundo que só vê o utilitarismo, o consumo, o prazer. Tudo isso leva a descartar quem não mais “serve”, quem “atrapalha”, quem nos “prende”.
            Deus parou de chamar? Claro que não. Ele continua passando no meio de nós e fazendo sua proposta, que pede de nós uma resposta. Ele continua chamando, mas a semente plantada parece sufocada, sobretudo pelo medo de ser diferente.
            É preciso criar um clima favorável para ouvir a voz do Senhor que chama. O mundo tem muitas propostas, que abafa a voz do chamado ou a confunde. O mundo tem tantas luzes, que a Luz verdadeira acaba ficando ofuscada ou confundida.
            Precisamos viver a alegria do amor, testemunhar a felicidade do chamado. Quando acertamos no caminho, chegamos mais facilmente ao destino de nossa caminhada. Quando acertamos a vocação, seremos muito mais felizes e vibrantes pela causa do Reino de Deus.
            Deus continua chamando. Saibamos sintonizar a sua frequência para ouvi-lo com atenção e divulga-lo com muita paixão.
           



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sociedade do Bem Viver

Um Olhar de Fê:

............Agosto é o mês que nos coloca, dentro da Igreja, no clima vocacional. É um tempo para refletir sobre o sentido da vida e das escolhas. Tempo de refletir sobre nossas opções e o que fazemos delas.
............Estamos todos em busca da felicidade. Cada um a procura de um jeito. Houve épocas e situações em que a felicidade era buscada coletivamente. A comunidade sabia que só unida e solidária alcançaria bem-estar e paz para todos.
............Hoje a felicidade parece ter-se tornado ainda mais indispensável. Quanta gente declara, em alto tom, que tem direito a ser feliz! E o escreve na porta de casa ou no vidro do carro. Mas quase todos procuram sozinhos, às vezes de forma até bastante egoísta, a própria felicidade individual, a realização dos próprios sonhos. E a procuram com uma certa pressa. Foi dito que a nossa sociedade é a sociedade “da satisfação imediata”, isto é, que busca a satisfação na hora, no momento, mesmo que muitas vezes não consegue encontrá-la.
............Escolhas certas levam a caminhos certos. Caminhos certos levam a uma vida feliz. Acerta a felicidade quem acerta a vocação.
............Um tema que volta na pauta de discussões e propostas é o do Bem Viver. “Trata-se de uma filosofia, com reflexos muito concretos, que sustenta e dá sentido às diferentes formas de organização social de centenas de povos e culturas da América Latina. Sob os princípios da reciprocidade entre as pessoas, da amizade fraterna, da convivência com outros seres da natureza e do profundo respeito pela terra, os povos indígenas têm construído experiências realmente sustentáveis que podem orientar nossas escolhas futuras e assegurar a existência humana. Estes povos têm nos ensinado que para construir o Bem Viver as pessoas devem pensá-lo para todos. Isso significa dizer que é preciso combater as injustiças, os privilégios e todos os mecanismos que geram a desigualdade. Assim, a “causa” indígena se vincula com a “causa” dos pobres e marginalizados e, desse modo, não deve ser pensada como uma questão à parte, desvinculada dos grandes desafios do mundo contemporâneo.
............Um dos grandes ensinamentos que os povos indígenas têm nos transmitido, desde tempos imemoriais, é o de saber conviver com a Mãe Terra, dedicando-lhe respeito, amor e profundo zelo. Na visão desses povos, a terra é mais do que simplesmente o lugar onde se vive. Ela é sagrada, é capaz de fazer germinar e de acolher plantas, animais e uma infinidade de seres vivos, além dos humanos, compondo assim ambientes onde a vida frutifica em todo o seu esplendor. Assim sendo, a terra está na base do Bem Viver. No entanto, nem todas as comunidades indígenas brasileiras podem usufruir do direito de viver em seus territórios tradicionais, ou seja, estão sem possibilidade de vivenciar a condição primordial do Bem Viver” (Jornal Porantim dezembro 2015).
............Olhar o presente e fazer sua escolha vocacional implica, necessariamente, numa visão que temos de sociedade, de felicidade, de Bem Viver. O futuro será melhor se o presente for bem orientado, com o aprendizado que vem do passado.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Imigração alemã e italiana


            Neste dia vinte e cinco de julho celebramos, especialmente no Rio Grande do Sul, o dia da imigração alemã, lembrando esta data o ano de 1825 quando chegaram ao nosso Estado, mais especificamente em São Leopoldo, às margens do Rio dos Sinos as primeiras famílias de colonos alemães. Os primeiros imigrantes chegaram a Porto Alegre, capital da província de São Pedro do Rio Grande, em 18/7/1824. Logo, foram enviados para a Feitoria do Linho Cânhamo, um estabelecimento agrícola do governo imperial, que estava localizada à margem esquerda do Rio dos Sinos.
Em 25/7/1824, esses 39 imigrantes, sendo 33 evangélicos e seis católicos, chegaram ao seu destino. Esta é a data de fundação de São Leopoldo, de onde vem o título de "Berço da Imigração". Eles foram instalados na Feitoria até que recebessem seus lotes coloniais. O Governo do Estado batizou o núcleo de imigrantes de Colônia Alemã de São Leopoldo, que se estendia por mais de mil quilômetros quadrados, abrangendo na direção sul-norte, de Esteio até Campo dos Bugres (hoje, Caxias do Sul), e em direção leste-oeste, de Taquara (hoje) até o Porto de Guimarães, no rio do Caí (hoje, São Sebastião do Caí).
Já a colonização italiana aconteceu em nosso estado cinquenta anos mais tarde, em 1875, com quatro grandes polos. A primeira Colônia foi a de Caxias do Sul, (com a denominação antiga de Campo dos Bugres), que teve a chegado dos primeiros imigrantes italianos na região de Nova Milano, no dia 20 de maio (região de Farroupilha). Depois chegaram os colonos para a Colônia de Conde d'Eu (hoje Garibaldi), no dia 15 de novembro. E no dia 24 de dezembro a terceira colônia foi fundada com o nome de Dona Isabel (hoje Bento Gonçalves).
A Quarta Colônia ficava distante dos demais núcleos de imigração italiana, mas favorecido pelas boas condições da região, que permitia o uso nos cultivos de uva e fumo. Foi criada em 1877 e recebeu o nome de Colônia Silveira Martins, homenagem ao senador do Império do Brasil e Presidente da Província do Rio Grande do Sul, Gaspar da Silveira Martins, que defendia o processo de imigração italiana para a Província. Foi composto inicialmente por 70 famílias que subiram o Rio Jacuí até Rio Pardo, percorrendo o restante do caminho em carros de boi. O nome da região foi definido por ser a quarta área de assentamento para os imigrantes italianos que vieram para o Rio Grande do Sul no século XIX.
Os motivos para a imigração? Crise na Europa, pobreza, concentração de terras, sistema político, famílias numerosas. De outro lado, necessidade de substituição da mão de obra escrava, produção de alimentos, “embranquecimento” da população brasileira, fixação das fronteiras, entre outros.
Celebrar a memória destes antepassados é recordar seu trabalho, suas dificuldades e suas vitórias. E é lembrar também que hoje o mundo, pelas mesmas ou outras razões, continua produzindo migrantes e imigrantes. Que precisam ser acolhidos.



terça-feira, 11 de julho de 2017

Semente é esperança


            Uma das páginas mais bonitas da Bíblia e da literatura é a Parábola do Semeador, que Mateus narra esplendidamente no capítulo treze de seu evangelho.
            Semear não é apenas o trabalho do agricultor, mas de todo ser humano. A nossa própria vida tem começo porque uma “semente” é depositada no corpo da mulher, a mãe, que dela cuida por nove meses, até que dê à luz um novo ser, que já era um ser em estado de semente.
            Nesta criança, que no início tem tudo para se desenvolver, mas ainda não é um ser completo, maduro, é preciso depositar outras sementes: a linguagem, a aprendizagem dos gestos vitais, como alimentar-se, cuidar do próprio corpo, a sabedoria que regula o relacionamento consigo mesmo, com os outros e com Deus... É todo o trabalho da educação. É preciso sonhar que este trabalho dará fruto, no futuro, para perseverar nele com a dedicação e o carinho que uma pessoa humana merece.  Pais e educadores sabem que o dever deles é semear. Os frutos dependerão também de outros fatores: da resposta do filho ou do aluno, das circunstâncias externas, das oportunidades maiores ou menores que essa nova vida encontrará pela frente...
            O gesto e a atitude de semear faz parte da vida de toda pessoa. Quem semeia pouco, colhe pouco. Quem semeia muito, colherá muito, ensina o grande apóstolo Paulo na Segunda Carta aos Coríntios, no capítulo 9, versículo 6.
            A parábola do semeador é uma parábola da esperança. Como o semeador, Jesus não se assusta com as dificuldades imediatas, porque tem a certeza de uma grande colheita. Jesus se preocupa em semear.
            O grande educador Rubem Alves, em uma entrevista concedida ao Jornal Mundo Jovem, em outubro de 2007, nos deixou um belo depoimento. “As pessoas, nas coisas que elas crêem, têm sempre uma dose de esperança. A esperança que eu tenho hoje é muito diferente da esperança que eu tinha há 30 anos, por exemplo. As pessoas me perguntam: você tem esperança de que estas coisas que você acredita venham a se realizar? E eu respondo a elas: há muito tempo que não faço esta pergunta. Não estou me interessando pela colheita. Só estou me interessando pela semeadura. Se eu tenho um desafio e quero ver se a minha resposta vai dar certo, simplesmente faço o que é correto. Eu faço a minha semeadura, fico feliz com minha semeadura e vamos dizer que a colheita a Deus pertence, não está nas minhas mãos. O que importa é a gente ser honesto com a gente mesmo, viver a vida com integridade e é isso o máximo que a gente vai fazer. E se a coisa vai acontecer ou se não vai acontecer, continua semeando.”

            Semear é preciso. Somos semeadores de esperança. Semeamos sementes de esperança. “Põe a semente na terra, não será em vão. Não te preocupes a colheita, plantas para o irmão” é a nossa canção.


terça-feira, 4 de julho de 2017

Dízimo, mais que contribuição

Um Olhar de Fé:

.......O Dízimo é um jeito que o Povo de Deus descobriu, de maneira prática e comunitária, para a sua organização e manutenção. Além disso, a prática da partilha e da solidariedade.
           
.......A Igreja Católica no Brasil, através de seus bispos, publicou um documento chamado “O dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas”, onde define “o dízimo é uma contribuição sistemática dos fiéis, por meio da qual cada comunidade assume corresponsavelmente sua sustentação e a da Igreja.” (Documento 106 da CNBB, n.6).
            
.......Para entendermos bem o dízimo é preciso que a pessoa esteja evangelizada e comprometida com a evangelização. Sem isso, a compreensão passa apenas pelo econômico ou até por uma compreensão errônea.

O documento 106 da CNBB coloca algumas características do dízimo:

1.    É relacionado com a experiência de Deus e com o amor fraterno;
2.    É um compromisso moral dos fiéis com a Igreja;
3.    É fixado de acordo com a consciência retamente formada;
4.    É sistemática e periódica.

............A contribuição do dízimo deve nascer da fé, da pertença à Igreja e da consciência eclesial. É um compromisso de amor fraterno, pois manifesta a amizade que circula entre os membros da comunidade. Ele traz à vida cristã os elementos “de uma caridade ativa na prática dessa experiência. Alguém se torna dizimista porque tem fé em Deus e confia nas suas promessas” (n. 8).
............É um compromisso moral. Como tal, “a contribuição com o dízimo nasce de uma decisão pessoal que exprime a pertença efetiva à Igreja vivida em uma comunidade concreta. A contribuição que se faz por meio dele é uma manifestação autêntica e espontânea da fé em Deus e da comunhão e participação na vida da Igreja e em sua missão. Por isso, ele se diferencia do simples cumprimento de uma lei e se situa no plano da decisão de consciência iluminada pela fé.” (n. 9)

............Assim também a decisão da escolha da quantia destinada para o dízimo é decisão de consciência, Iluminada pela Palavra de Deus, sensível às necessidades da Igreja e do próximo. “Cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento”, diz o apóstolo Paulo (2 Cor 9,7).

............A contribuição com o dízimo deve ser sistemática. Isso significa que ela é estável, assumida de modo permanente. Do ponto de vista da forma como ela se realiza, é também periódica, podendo ser mensal ou estar ligada às colheitas ou à venda de produtos, sendo realizada na ocasião em que se recebe o salário ou outros tipos de ganho (n. 11).

............A correta compreensão do dízimo evita “que ele seja proposto e assumido unicamente como forma de captação dos recursos para as outras pastorais, para a sustentação das pessoas e para a manutenção das estruturas eclesiais. Essa compreensão não expressa toda a riqueza de seus significado, não podendo, portanto, ser apresentada como uma única motivação, nem como motivação principal, pois haveria grave risco de reducionismo” (n.12).