terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Natal, tempo de construir a paz

Natal se aproxima, é tempo de amor,
Renasce a esperança de um mundo melhor.
Palavras e gestos promovem a paz,
Que vem do Deus vivo e na terra se faz.

            A época do Natal sempre nos faz mais sensíveis e humanos. Isso porque recordamos a realização das promessas de Deus, que jamais se esquece da humanidade e envia seu próprio Filho, que se faz gente como a gente, menos na fragilidade pecadora.
            Natal é tempo de relembrar a bondade de Deus para conosco. Um Deus misericordioso e bondoso, compassivo e clemente. Um Deus que caminha com seu povo ao longo de sua história, respeitando sua liberdade, mas não o abandonando. Um Deus presente e cuidador, sempre nos dando mais uma oportunidade para a mudança e a conversão.
            Natal é tempo de acolher a proposta divina. E aqui não pode haver indecisão: ou somos a favor, ou somos contra. Não existe meio termo ou o mais ou menos. Nossa opção deve ser pra valer, de corpo e alma, totalmente.
             Natal é tempo de acolher o Príncipe da Paz, como anuncia o Profeta do Advento, Isaías: “Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para Sempre, Príncipe da Paz” (Is 9, 5).
            Natal é tempo de renovação. É preciso deixar de lado as diferenças e atritos com aqueles que convivem conosco e recomeçar sempre de novo. Não deixar passar este tempo com ódio e rancor no coração, com inimizades e corações e mentes carregados de sentimentos vingativos. A fé nos ensina – e a psicologia nos confirma – que não devemos cultivar inimizades, que só fazem mal para nós mesmos. É preciso perdoar, recomeçar, renovar-se.
           Natal é tempo de ser solidário. Não por um dia ou por uma semana. A vida toda. Todos os dias, todos os anos. E ser solidário é ser humano, é ser justo, é lutar pela igualdade e fraternidade, partilha e direitos iguais, onde a justiça e a paz se abraçarão.
            Natal é tempo de dizer não à corrupção e à violência.  “Precisamos terminar com as castas que se enquistam no poder público distribuindo benesses e privilégios para os seus comparsas. Quem rouba milhões, mata milhões: não se defendem direitos humanos e sociais deixando impune a corrupção, sem tocar nos tentáculos das máfias do poder. Que o Evangelho do poder-serviço nos leve a construir um Brasil republicano, centrado na justiça, na integridade e no bem comum”, como nos diz o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreira Paz.

           Natal é tempo de construir a paz, nos convidam os encontros em preparação ao Natal em nosso Rio Grande do Sul. É tempo de superar violências e propor saídas para um mundo melhor. É tempo de anúncio: é possível um mundo melhor. Deus acreditou em nós e nos enviou o que tinha de mais precioso: o seu próprio Filho. É preciso que também nós acreditemos em nós.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Advento: tempo de esperançar

Um Olhar de Fé:

............A vida é dinâmica e começa sempre de novo. São Gregório de Nissa afirma que “na vida cristã vamos de começo em começo, através de começos sem fim”. Re-começar contínuo, no qual nos colocamos sempre de novo em sintonia com Aquele que plenifica nossa existência, dando sentido e inspiração ao nosso modo de ser e viver.

............Estamos re-começando mais um tempo litúrgico, sempre original e instigante: trata-se do Advento. É tempo de preparação, de recomeço e de continuidade.

............É tempo de olhar para a frente, para o futuro. É tempo de conjugar o verbo esperançar. Para isso, é tempo de vigilância, de estar acordados e sempre alertas.

............Esta vigilância evangélica é diferente de medo. Não temos medo do futuro nem da nova vinda do Senhor Jesus, mas sabemos da responsabilidade que temos, ou seja, viver como filhos e filhas de Deus, no amor, na fé e na esperança.

............Por que essa insistência em viver despertos, atentos e lúcidos, como nos pede o tempo do Advento? Porque, como dizia Antony de Mello, a grande tragédia da vida não é tanto aquilo que sofremos, mas aquilo que perdemos. Perdemos muitas oportunidades porque a dispersão e a distração nos acompanham sempre. E isso é justamente o que pretende a espiritualidade do Advento: despertar.

............De vez em quando, deveríamos ter a coragem de deixar ressoar em nós esta pergunta: “Você vive ou simplesmente sobrevive?”; pois o perigo de viver adormecidos ou de maneira superficial nos espreita continuamente. Aqui podemos recordar um texto de Henry Thoreau que se fez famoso graças ao filme “A sociedade dos poetas mortos”: “Fui aos bosques porque queria viver em plena consciência, queria viver a fundo e extrair toda a essência da vida; eliminar tudo o que não fosse a vida, para que, quando a minha morte chegasse, eu não descobrisse que não tinha vivido”. 

............Advento é tempo de darmo-nos conta de que somos finitos e transitórios. Não temos morada definida nesta terra e nem somos donos de nossa vida. O evangelho – o evangelista da vez – nos conta parábola de um homem que foi viajar e deixar os empregados responsáveis para cuidar de sua casa, dizendo que não saberia quando iria voltar. Assim acontece conosco. Somos apenas “caseiros”, não donos de nossa vida. Sempre devemos cuidar para que tudo esteja em dia.

............Advento não é, em primeiro lugar, preparar o natal de vinte e cinco de dezembro, mas o nosso natal, a nossa vida e o nosso encontro definitivo com o Messias.

............E qual é a melhor maneira de se preparar? Viver bem, com alegria e responsabilidade, com humildade e esperança.

............Que este tempo de advento e natal nos ajude a conjugar o verbo esperançar, para que o nosso viver seja cada vez mais um grande hino à vida, à fé e ao amor. 


terça-feira, 28 de novembro de 2017

Sal na terra e luz no mundo

            Na festa de Cristo Rei, a Igreja Católica no Brasil abriu o Ano Nacional do Laicato, lembrando os cristãos leigos e leigas. Todos os que pertencem ao Clero ou à Vida Religiosa Consagrada foram, a partir do batismo, primeiro leigos e leigas. Todos os cristãos temos, pois como identidade primeira, como nossa inclusão eclesial, o sacramento do Batismo.
No Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, encontramos duas definições para a palavra leigo:
·         Que pertence ao povo cristão como tal e não à hierarquia eclesiástica;
·         Que é estranho ou alheio a um assunto; desconhecedor.
Leigo é uma palavra que em sua origem grega deriva de "laós" ou "laikós" e significava "POVO", multidão, agregado social, mas no grego clássico tinha um sentido pejorativo de "povo inferior" ou multidão inferior ou iletrado. Assim distinguia o povo das elites sociais, letradas, cultas ou da hierarquia do poder político.
Também a Igreja começou a usar o termo "leigo" para quem não fosse da hierarquia e mesmo no sentido pejorativo em muitos casos de incultos. Até hoje em dia costuma-se dizer que alguém é "leigo" em determinado assunto, quando não conhece o tema, quando não domina certo assunto ou ciência.
A Igreja Católica, no Concilio Vaticano II usou a palavra leigo na Constituição Dogmática "Lumen Gentium" e lhe deu um significado positivo. Definiu, no nº 3, por leigos "o povo de Deus".
Ainda no mesmo documento conciliar, no nº 31, define que "pelo nome leigos são compreendidos todos os cristãos, exceto os membros de ordem sacra e do estado religioso aprovado na Igreja".
"Assim, embora o leigo não faça parte da hierarquia, ele é membro da Igreja Católica, em virtude de haver recebido o sacramento do batismo. Assim, na Igreja não se faz distinção entre clérigo e leigo": todos são igualmente membros da única Igreja iniciada por Jesus Cristo, embora com funções e serviços distintos.
Clero, religiosos e religiosas e leigos somos todos membros do único corpo místico de Jesus Cristo e cabe a todos o dever de anunciar o evangelho até os confins da terra, conforme a ordem de Jesus em Mateus 28, 16-20.
O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato, que irá até a Festa de Cristo Rei de 2018, é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14).                                                                                                         Segundo o bispo de Caçador, SC, D. Severino Clasen, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral do Laicato da CNBB e da Comissão Especial para o Ano do Laicato, "a mística do apaixonamento e seguimento a Jesus Cristo é a tônica a ser trabalhada em todas as comunidades e dioceses do país, o que leva o cristão leigo a tornar-se, de fato, um missionário na família e no trabalho e onde estiver vivendo".


quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Agradecer

Um Olhar de Fé:

............Estamos chegando ao final de mais um ano e é o momento de agradecer. A virtude da gratidão está em toda a Bíblia. É próprio das almas nobres agradecer sempre e por todas  as coisas. O salmista exclama: “Bom é render graças ao Senhor...” E outra vez: "Entrai por suas portas com ações de graças..." (Sl 92.1 e 100.4). Assim, o render graças a Deus, é tão antigo quanto a humanidade. Vem dos tempos bíblicos e reflete-se ao longo da história.
............Deve-se aproveitar o Dia de Ação de Graças para se refletir sobre como se tem agido, como cristão, no ano que se finda: como me comportei diante da Palavra de Deus? Como agi em relação a meu próximo? Movidos pela Fé, qual foi o testemunho que dei sobre Nosso Senhor Jesus Cristo? Fiz alguma boa ação?
............O Dia de Ação de Graças evoca ainda algo mais: o momento em que se deve, sobretudo, agradecer a Deus por tudo que Ele proporciona à vida de cada um de nós, pois ela é um Dom de Deus que d’Ele se emprestou e, por ela, se deve agradecer. Agradecer a Deus, de modo especial pela vida e por tudo que concede ao ser humano, é reconhecer que Ele é o Senhor de tudo e de todos e, para tanto, é preciso estar revestido do espírito de humildade.
............Estamos vivendo uma “mudança de época”. O mundo está em polvorosa, porque, de modo inesperado, se desenha a instabilidade econômica em muitas partes do mundo. A realidade de violência assusta a todos e desestabiliza a sociedade.
............O rápido desenvolvimento das comunicações conduz a um processo de globalização cultural, que exerce um significativo impacto sobre a nossa sociedade. Alguns efeitos são positivos, outros, porém, são, sem dúvida, negativos.
............Temos muito que agradecer nesse dia. A nossa vida, a nossa saúde, a solidariedade e a amizade das pessoas, a nossa fé, a capacidade que Deus nos dá em sempre começar de novo.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Dia Mundial do Pobre


O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco na carta apostólica Misericórdia e mísera’ e é assinalado em cada ano no 33º Domingo do Tempo Comum, que este ano cai em 19 de novembro.
O Dia Mundial dos Pobres quer ajudar as comunidades e cada batizado a “refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho”, referiu o Papa. Ele inicia sua Mensagem, com a citação evangélica do tema central: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade” (1 Jo 3,18). Estas palavras do apóstolo São João são um imperativo do qual nenhum cristão pode prescindir.
O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus: “Ele nos amou primeiro, a ponto de dar a sua vida por nós”.
Deste modo, a misericórdia, que brota do coração da Trindade, se concretiza e gera compaixão e obras de misericórdia pelos irmãos e irmãs mais necessitados.
Neste sentido, o Papa fez diversas referências da vida de Jesus, que ecoou, desde o início, na primeira comunidade, que assumiu a assistência e o serviço aos pobres, com base no ensinamento do Mestre, que proclamou os pobres “bem-aventurados e herdeiros do Reino dos Céus”.
Contudo, aconteceu que alguns cristãos não deram a devida atenção a este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas, o Espírito Santo soprou sobre muitos homens e mulheres que, de várias formas, dedicaram toda a sua vida ao serviço dos pobres.
O Papa recordou que, nestes dois mil anos, numerosas páginas da história foram escritas por cristãos que, com simplicidade e humildade, se colocaram a serviço dos seus irmãos mais pobres. Ele citou alguns nomes que mais se destacaram na caridade, como São Francisco de Assis, testemunha viva de uma pobreza genuína.
Francisco lembra que, para os cristãos, discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação: é seguir Jesus pobre. A pobreza “é o metro que permite avaliar o uso correto dos bens materiais e viver de modo não egoísta nem possessivo os laços e os afetos”.
O nosso mundo, muitas vezes, não consegue identificar a pobreza dos nossos dias, com seus diversos rostos: sofrimento, marginalização, opressão, violência, torturas, prisão, guerra, privação da liberdade e da dignidade, ignorância, analfabetismo, enfermidades, desemprego, tráfico de pessoas, escravidão, exílio e miséria. A pobreza é fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!
Diante deste cenário, não se pode permanecer inertes e resignados, afirmou Francisco. Todos estes pobres – como dizia o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por “direito evangélico” e a obriga à sua opção fundamental.
Por isso, o Papa conclui sua Mensagem para o Dia Mundial dos Pobres convidando toda a Igreja a fixar seu olhar a todos os estendem suas mãos invocando ajuda e solidariedade.
Que este Dia sirva de estímulo para reagir à cultura do descarte, do desperdício e da exclusão e a assumir a cultura do encontro, com gestos concretos de oração e de caridade, para uma maior evangelização no mundo. Os pobres – diz por fim Francisco - não são um problema, mas “um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”.






terça-feira, 7 de novembro de 2017

Senhora do Patrocínio


“Senhora do Patrocínio, como filhos pedimos a Vós: que sois no céu rainha, Mãe bendita rogai por nós.”

A devoção à Nossa Senhora do Patrocínio chegou junto com os primeiros moradores, depois de Pedro de Ansuateguy = Dom Pedrito – que trouxeram com eles sua fé e suas devoções.
O mesmo aconteceu com os imigrantes europeus que vieram para a América e com os migrantes que vão para outras regiões. Os usos, costumes, tradições e devoções são continuação de sua pátria e de sua família.
A devoção à Nossa Senhora do Patrocínio foi trazida ao Brasil pela família imperial de Dom João VI, em 1808, que veio ao Brasil com toda sua corte. Em 1755, no grande terremoto de Lisboa, os portugueses pediram o patrocínio de Nossa Senhora, que livrou muita gente da morte. A partir desta data a sua divulgação se espalhou e chegou ao Brasil. Hoje, em Portugal, é praticamente ausente a sua devoção.
Ela é bastante presente em São Paulo, Minas Gerais e Nordeste. No Rio Grande do Sul, só temos conhecimento em Dom Pedrito. Em nenhum outro local conseguimos visualizar a sua presença.
Pesquisando na internet, descobrimos que “as origens da devoção a Nossa Senhora do Patrocínio, remontam ao século 16. Nessa época a Espanha havia sido tomada pelos mouros - árabes muçulmanos – que habitavam a Mauritânia.
Os espanhóis, em números reduzido para enfrentar a multidão inimiga, confiaram no patrocínio (proteção, amparo, auxílio) de Maria. A vitória dos cristãos foi atribuída à intercessão da Virgem.
A crença na proteção de Maria se difundiu tanto entre os espanhóis que o rei Fernando III recomendava a suas tropas a colocação de uma imagem de Maria à frente dos cavalos. Quando reconquistou Sevilha, ordenou que a imagem de Maria entrasse em carro triunfal na cidade, para que lhe fossem atribuídas as vitórias e abençoasse a terra, antes ocupada pelos bárbaros.
Mais tarde, o rei Felipe IV pediu ao Papa Alexandre VII que expedisse uma bula, pela qual estabelecesse na Espanha para sempre uma festa dedicada ao Patrocínio de Maria. Em 28 de julho de 1656, o Papa publicou a bula Plaeclara Christianissimi, com essa finalidade.
A devoção espalhou-se por outros países e, em 3 de agosto de 1725, o Papa Bento XIII determinou que sua festa fosse celebrada nos Estados Pontifícios no segundo domingo de novembro.
Outro fato que fortaleceu a devoção a Nossa Senhora do Patrocínio foi um terremoto ocorrido em Lisboa no dia 1º de novembro de 1755. Depois da tragédia, o rei de Portugal – Dom José – pediu ao Papa Bento XIV que instituísse duas novas festividades para o Reino e as Colônias: São Francisco de Borja, que seria invocado contra os tremores de terra, e Nossa Senhora do Patrocínio, pelo especial cuidado que teve com a pessoa do rei e sua família, preservando os reinos da ruína total.” (Mariéle Prévidi – Revista Campo & Cidade).

“Senhora do Patrocínio  
Terna Mãe do Senhor                                                                                                        
Aqui Também vossos filhos
Vem ofertar seu amor”.





quarta-feira, 1 de novembro de 2017

500 anos de Reforma

No dia 31 de outubro completou=se os 500 anos da Reforma Luterana. Em 10 de fevereiro de 2014, a Igreja Católica e a Igreja Luterana, através do presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e do Secretário Geral da Federação Luterana Mundial, publicaram uma carta conjunta, apresentando o informe ecumênico “Do conflito à Comunhão – comemoração conjunta Luterano-Católica-Romana da Reforma em 2017”. Diz a carta: “É a primeira tentativa histórica no âmbito internacional de descrever a história da Reforma conjuntamente, de analisar os argumentos teológicos que estavam em jogo, de traçar os desenvolvimentos ecumênicos entre nossas comunhões, de identificar a convergência alcançada e as diferenças ainda persistentes”.
A data de 31 de outubro de 1517 tornou-se um símbolo da Reforma Protestante do século XVI. Neste ano, completam-se 500 deste acontecimento e a comemoração tem o seu contexto. Vivemos numa era ecumênica, por isso, a comemoração comum é uma ocasião para aprofundar a comunhão. Marca também os 50 anos de diálogo luterano-católico que produziu vários estudos, celebrações e ações conjuntas. Merece destaque a “Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação”, publicada em 1999, que afirmou um consenso nas verdades fundamentais da doutrina da justificação. Em segundo lugar, a comemoração acontece numa era globalizada e por isso não envolve apenas alguns lugares. O terceiro contexto é de uma nova evangelização, num tempo marcado com o surgimento de novos movimentos religiosos e o crescimento da secularização.
“O ecumenismo não pode basear-se no esquecimento da tradição. Não pode ser ignorado o que aconteceu nestes 500 anos, nem os frutos doces e nem os azedos. O que aconteceu no passado não pode ser mudado, mas o que e como é lembrado, com o passar do tempo, de fato muda. Lembrar torna o passado presente. Enquanto o passado em si é inalterável, a presença do passado no presente é alterável” lembra Dom Rodolfo Luís Weber, Arcebispo de Passo Fundo.
Nós, católicos, nos unimos aos irmãos luteranos numa comemoração conjunta. Não se trata de festejar, mas de fazer memória conjuntamente, para continuarmos e aprofundarmos o caminho da unidade do Corpo de Cristo, segundo o desejo de Jesus: “Para que sejam um, como nós somos um” (Jo 17,23). A divisão dos cristãos é contrária à vontade de Deus. Sabemos que o passado, que deixou chagas, é inalterável, mas nossa postura diante do passado pode e deve ser diferente. Esta comemoração comum é ocasião para aprofundar a comunhão entre católicos e luteranos.  
“Luteranos e católicos hoje se alegram com o crescimento da compreensão, da cooperação e do respeito mútuos. Reconhecem o fato de que o que une é mais do que o que separa: sobretudo, a fé comum no Deus Trino e a revelação em Jesus Cristo, assim como o reconhecimento das verdades básicas da doutrina da Justificação” (Comissão Luterano – Católico-Romana sobre a unidade, Do Conflito à Comunhão: Comemoração conjunta Católico-Luterana da Reforma em 2017, n. 1).