sábado, 17 de fevereiro de 2018

Comunidades se encontram em Londrina


Londrina sedia, de 23 a 27 de janeiro de 2018, o 14º Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), que reúne cerca de 3.300 participantes de todo o Brasil, representantes das CEBs dos países do Conesul e parceiros das Igrejas da Europa.

O encontro tem como tema “As CEBs e os desafios no mundo urbano” e lema “Eu vi, ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Êxodo, 3:7). “A sociedade tem de estar preparada para lidar com os problemas atuais e, acima de tudo, pensar e refletir as soluções para enfrentar essas dificuldades”, afirma Dirceu Fumagalli, da Formação e Articulação das Equipes de Serviços do 14º Intereclesial. “A Igreja tem o compromisso de ajudar na formação e na articulação de seus membros para pensar essas soluções.”
Segundo o arcebispo de Londrina, dom Geremias Steinmetz, anfitrião do encontro, a temática do evento, que trata a questão da realidade urbana, é necessária e urgente e, por isso, atraiu um grande número de participantes. “Hoje já temos um percentual de mais de 80% dos brasileiros vivendo em cidades, os que nelas não habitam vivem a cultura urbana de qualquer jeito, seja através da televisão, do rádio, da internet, e isso está tomando conta do nosso país”.
O mundo urbano é um sinal dos tempos que nos convoca a uma “conversão pastoral e urbana”.  Hoje precisamos nos dar conta, como Igreja, que “o mundo urbano é prioridade da missão”. Não nos roubem o entusiasmo missionário, não nos roubem o projeto “Comunidade de comunidades”, não nos roubem o profetismo e a dimensão social do Evangelho, escreve dom Orlando Brandes, Arcebispo de Aparecida, na introdução do texto base em preparação ao encontro.
O bispo de Tocantinópolis (TO) e referencial das Cebs, dom Giovane Pereira de Melo afirma que este é um grande encontro celebrativo. Para ele, o evento é uma grande assembleia do povo de Deus que vive nas Comunidades Eclesiais de Base e que se encontra periodicamente para celebrar a caminhada, as conquistas, a luta e o testemunho de ser presença profética nas pequenas comunidades: “É um voltar da Igreja através das Comunidades Eclesiais de Base sobre toda a realidade, os desafios de evangelizar e ser presença profética no mundo urbano”.
O encontro intereclesial das CEBs tem uma metodologia de trabalho, baseada no método “Ver, Julgar e Agir” Para ampliar as reflexões dos desafios, o encontro foi organizado em 13 mini plenárias que irão discutir temas como acesso e condições de moradia; mobilidade urbana; formação e educação; acesso e participação na cultura e lazer; trabalho e emprego; juventude; ecologia; saúde e saneamento; violência e segurança; direito à comunicação; diálogo inter-religioso; movimentos e organizações sociais e populares; democratização e participação na política.
            A Diocese de Bagé estará presente com seis delegados, representantes das quatro Áreas Pastorais.



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Advertências e ameaças


            Aprendemos, na vida, que o melhor remédio é a prevenção. E para prevenir é preciso tomar cuidado, escolher caminhos mais seguros e, muitas vezes, ouvir conselhos de gente experiente que gosta de nós.
            Quando andamos na estrada, vimos muitas placas de sinalização, que são advertências para nós, e não ameaças. As placas ajudam a dirigirmos com mais segurança e pede de nós muita prudência. Não são ameaças, mas auxílio. Claro, se não as obedecermos e seguirmos, se tornarão ameaça e desgraça.
            Assim é na vida. Assim é na Bíblia. “O tempo já se completou e o reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1, 15). Não é uma ameaça, mas um convite de amor. É recado para sermos prudentes, não assustados.
            A fé para nós é um caminho e uma luz para o caminho. Nos faz ver diferentes, caminhar diferentes, pensar diferentes, valorizar pessoas e coisas diferentes. A fé nos “faz fazer” opções diferentes. Não é tudo que serve. É como dizia Sêneca: “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”. Ou qualquer vento lhe serve. Tanto faz quanto fez.
            Vivemos numa época de ausência de grandes lideranças. Parece que as pessoas estão perdidas como um caminhão, em alta velocidade, desgovernado. Não bastam boas estradas: precisamos de bons motoristas. Não bastam boas intenções: precisamos boas realizações.
            É preciso estarmos atentos à estrada e à vida. Sabemos que se não observamos as placas de advertências, provavelmente teremos consequências. Por isso se diz que “é melhor prevenir que remediar”.
            Isso vale em todos os campos da vida e em todos os sentidos. No cuidado para com a natureza, nas relações familiares, na situação política, na organização social, na economia, no esporte, no lazer, na cultura, na religião, na família, na saúde, no trabalho...
            Todos os setores da nossa vida ganham novo espírito se forem inspirados pelos valores do Reino de Deus. Nosso tempo está marcado por muitos sinais positivos e também por muitas marcas negativas, que se tornam apelos à ação transformadora: convertei-vos!
            Repito novamente: o ser humano não está pronto. Temos um longo caminho a percorrer. Precisamos continuamente de mudança. Conversão é tarefa permanente de cada pessoa e de toda comunidade. Este é o grande apelo à humildade. Quem pensa que sabe tudo, que pode tudo, que é superior a tudo e a todos, que já está salvo, cuidado! A autossuficiência é a maior inimiga da perfeição e da prevenção.
            A Palavra de Deus é pois uma grande ajuda em nossa vida, e jamais uma ameaça ou um convite ao desleixo. Ela é “luz para o nosso caminho e lâmpada para nosso pés” (Sl 119, 105).



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Escolhas acertadas


            O ser humano não nasce pronto. Estamos sempre nos aprontando. Vamos nos construindo no logo da vida e do tempo. Os instrumentos dessa construção são as escolhas que fazemos diante dos encontros com outras pessoas e realidades.
            Uma canção de Gonzaguinha diz: “toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de outras tantas pessoas...” Mas não lições totalmente obrigatórias, inevitáveis. Dentro de certos limites, escolhemos que tipo de influência acolher. Quem não exerce esse poder de escolha vira boneco de teatro, manipulado, sem vontade própria, o que o povo chama de “maria-vai-com-as-outras”.
            Não crescemos sem os outros. Precisamos uns dos outros, que podem ser exemplo para nós. Mas não somos cópia do que recebemos. Selecionamos e transformamos o que outros nos oferecem para sermos essa maravilhosa obra única, essa pessoa sem igual que é cada um de nós.
            No evangelho de João temos uma passagem em o Batista tem a capacidade de dizer que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. E Jesus responde aos primeiros discípulos que o procuram e lhe perguntam onde morava: “Vinde ver!” Hoje deveríamos estar capacitados para dar resposta semelhante a quem procurar conhecer o Deus com o qual fizemos aliança. As pessoas precisam “vir” à comunidade onde se alimenta a nossa fé.
            Mas não basta “vir”, é preciso “ver” algo motivador, digno de admiração. Aí teríamos três campos interligados para trabalhar, construindo algo que as pessoas se sintam felizes de ver. Um é o próprio atendimento pessoal, individual: a pessoa precisa ver que a comunidade a considera importante, a conhece pelo nome, interessa-se por seus sentimentos, ideias, capacidades e problemas. Um segundo campo é a relação com Deus, o clima de oração, alegre firmeza na fé. O terceiro campo seria a ação da comunidade para fora, na transformação da realidade, vivenciando no mundo a fraternidade e a justiça.
            Na experiência de Deus, no caminho para a fé, podemos colocar três passos para chegarmos ao objetivo.
1. Buscar: sempre estamos em busca. E quem procura vai encontrar. Temos sempre que estar a caminho, parar jamais. Buscamos um sentido para a vida, um projeto para nosso existir. E quem procura faz perguntas, vai atrás, fica inquieto. Por que a vida é assim? Existe um caminho para construir algo melhor? Como vencemos nossos medos e angústias? O que fazer diante de uma injustiça? Para que afinal existimos? Uma pergunta pode ser meio desesperada, mas é um sinal de busca.
2. Seguir:  quando encontramos o que buscamos, o segundo passo é seguir o caminho encontrado. Isso implica em conhecer melhor o que procurávamos e agora encontramos. No caso do evangelho, o próprio Jesus. Segui-Lo implica em conhece-Lo melhor, agir de acordo com os critérios do evangelho, viver de outra maneira e ter atitudes coerentes com o sentido do projeto de vida que Jesus oferece.
3. Permanecer: o seguimento e o achado tem que ser permanente. Não pode ser “fogo de palha”. É preciso manter-se firme quando as inevitáveis dificuldades aparecerem. Esse permanecer não significa seguir uma rotina, ficar estacionado num único tipo de entendimento e comportamento. A permanência inclui evolução, crescimento, transformação pessoal, impulsionada pela graça e pela criatividade que nos vem do Espírito Santo. É como dizia D. Hélder Câmara: “É preciso mudar muito para ser sempre o mesmo”.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Foco em 2018

Um Olhar de Fé:

............Mais um ano em nossa vida. Na abertura do mesmo, o Papa Francisco pediu que coloquemos o nosso foco naquilo que é de fato importante, e não percamos tempo com banalidades e consumismos: “Reservar cada dia um tempo de silêncio com Deus é guardar a nossa alma, é guardar a nossa liberdade das banalidades corrosivas do consumo e dos aturdimentos da publicidade”.

............O papa Francisco pediu que todos tenham um "coração de mãe" durante o novo ano que se inicia. "Que a fé não seja reduzida apenas a uma ideia ou a uma doutrina. Nós temos necessidade, todos temos, de ter um coração de mãe que sabe proteger a tenacidade de Deus e escutar as necessidades dos homens.”

............E pediu que todos sejam amados. "Cada vida, daquela do ventre da mãe aos idosos, dos sofredores e doentes, até aquelas incômodas e as repugnantes, deve ser acolhida, amada e ajudada". "Também nós, cristãos em caminho, sentimos no início do ano a necessidade de recomeçar do centro, de deixar para trás os fardos do passado e recomeçar com o que importa.

............“Vós sois todos irmãos” é o lema da Campanha da Fraternidade, que terá como tema a superação da violência, ajudando na reflexão sobre a necessidade de criarmos uma cultura de paz. Pretende considerar que a violência nunca constitui uma resposta justa. A Igreja proclama, com a convicção de sua fé em Cristo e com a consciência de sua missão, que a violência é um mal, que a violência é inaceitável como solução para os problemas, que a violência não é digna do ser humano. A violência é mentira que se opõe à verdade de nossa fé, à verdade de nossa humanidade. A violência destrói o que ambiciona defender a dignidade, a vida, a liberdade dos seres humanos.

............O lema – Vós sois todos irmãos – busca resgatar o sentido da fraternidade dos povos, pois somos todos irmãos e irmãs, filhos e filhas de um mesmo Pai. Por isso, iluminados pelo Evangelho do Reino, somos chamados à não violência.

............2018 é o Ano do Laicato na Igreja Católica, que tem como tema para animar a mística é: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14. O Ano do Laicato terá como objetivo geral: “Como Igreja, Povo de Deus, celebrar a presença e a organização dos cristãos leigos e leigas no Brasil; aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade”.

............Neste contexto, acontecerá já neste mês de janeiro, de 22 a 27, em Londrina, Paraná, o 14º. Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base, que terá como foco os desafios da evangelização no mundo urbano.

............Em Dom Pedrito, teremos em 2018 as Santas Missões, animadas pelos freis franciscanos, durante todo o mês de agosto, iniciando no dia três e encerramento no primeiro dia de setembro.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

É Natal do Senhor

É Natal mais uma vez. Como os tempos passam com tanta rapidez! Celebrar o Natal é dar destaque para uma Festa de um aniversário sempre novo, porque o aniversariante não fica velho, e nem aquele que consegue encontrá-Lo nesse momento privilegiado do ano. É a presença de Deus na história do passado e do presente, realizando um plano de salvação, transformando o egoísmo e a violência em amor e paz.
Deus, ao enviar seu Filho ao mundo, fez uma trajetória humana, contando com a intermediação da jovem Maria de Nazaré, uma mulher autônoma, amorosa, livre e determinada para realizar o projeto pontuado pelos profetas no Antigo Testamento. Ação determinada pela decisão de uma mulher, superando todos os conceitos que privilegiavam o sexo masculino nas decisões.
No contexto do Natal, toda cena, que marcou a história do povo de Deus, envolvendo o recenseamento, a manjedoura e o nascimento de Jesus, foi preconizada por uma esperança messiânica de vida nova. Isso já estava contido no anúncio do Anjo a Maria, dizendo que ela daria a vida a um ser humano, mas também divino, pela ação do Espírito Santo.
Dizer hoje “Feliz Natal” para alguém é desejar que haja comprometimento com a Pessoa de Jesus Cristo. É como abrir espaço no coração, fazendo aí morada digna de Deus. Então, Natal é mais do que uma festa de um nascimento histórico. É uma vida divina que vem ao encontro de uma vida humana, para resgatá-la das amarras da servidão e da escravidão, que sufoca a dignidade das pessoas.
O Evangelho é muito claro quando fala de Jesus Cristo. Mostra a caminhada de José e Maria saindo da Galileia para a Judeia, para cumprir a ordem estabelecida pelo governador, de que todos deveriam ser recenseados. Maria estava nos últimos tempos de gravidez, tendo que enfrentar o desafio da carência de hospedagem na cidade de Belém, onde nasceu Jesus.
Natal é mistério, mesmo que a cultura hodierna não consiga atingir sua total dimensão e sua riqueza como resposta da fidelidade de Deus para com as necessidades do mundo. No meio de tantos desafios como violência, injustiça, desmandos, agressão à vida, Deus conduz a história num projeto totalmente de amor. Ele é o Emanuel, o Deus conosco, que quer de nós um “sim” de responsabilidade.

  

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Natal, tempo de construir a paz

Natal se aproxima, é tempo de amor,
Renasce a esperança de um mundo melhor.
Palavras e gestos promovem a paz,
Que vem do Deus vivo e na terra se faz.

            A época do Natal sempre nos faz mais sensíveis e humanos. Isso porque recordamos a realização das promessas de Deus, que jamais se esquece da humanidade e envia seu próprio Filho, que se faz gente como a gente, menos na fragilidade pecadora.
            Natal é tempo de relembrar a bondade de Deus para conosco. Um Deus misericordioso e bondoso, compassivo e clemente. Um Deus que caminha com seu povo ao longo de sua história, respeitando sua liberdade, mas não o abandonando. Um Deus presente e cuidador, sempre nos dando mais uma oportunidade para a mudança e a conversão.
            Natal é tempo de acolher a proposta divina. E aqui não pode haver indecisão: ou somos a favor, ou somos contra. Não existe meio termo ou o mais ou menos. Nossa opção deve ser pra valer, de corpo e alma, totalmente.
             Natal é tempo de acolher o Príncipe da Paz, como anuncia o Profeta do Advento, Isaías: “Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para Sempre, Príncipe da Paz” (Is 9, 5).
            Natal é tempo de renovação. É preciso deixar de lado as diferenças e atritos com aqueles que convivem conosco e recomeçar sempre de novo. Não deixar passar este tempo com ódio e rancor no coração, com inimizades e corações e mentes carregados de sentimentos vingativos. A fé nos ensina – e a psicologia nos confirma – que não devemos cultivar inimizades, que só fazem mal para nós mesmos. É preciso perdoar, recomeçar, renovar-se.
           Natal é tempo de ser solidário. Não por um dia ou por uma semana. A vida toda. Todos os dias, todos os anos. E ser solidário é ser humano, é ser justo, é lutar pela igualdade e fraternidade, partilha e direitos iguais, onde a justiça e a paz se abraçarão.
            Natal é tempo de dizer não à corrupção e à violência.  “Precisamos terminar com as castas que se enquistam no poder público distribuindo benesses e privilégios para os seus comparsas. Quem rouba milhões, mata milhões: não se defendem direitos humanos e sociais deixando impune a corrupção, sem tocar nos tentáculos das máfias do poder. Que o Evangelho do poder-serviço nos leve a construir um Brasil republicano, centrado na justiça, na integridade e no bem comum”, como nos diz o bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreira Paz.

           Natal é tempo de construir a paz, nos convidam os encontros em preparação ao Natal em nosso Rio Grande do Sul. É tempo de superar violências e propor saídas para um mundo melhor. É tempo de anúncio: é possível um mundo melhor. Deus acreditou em nós e nos enviou o que tinha de mais precioso: o seu próprio Filho. É preciso que também nós acreditemos em nós.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Advento: tempo de esperançar

Um Olhar de Fé:

............A vida é dinâmica e começa sempre de novo. São Gregório de Nissa afirma que “na vida cristã vamos de começo em começo, através de começos sem fim”. Re-começar contínuo, no qual nos colocamos sempre de novo em sintonia com Aquele que plenifica nossa existência, dando sentido e inspiração ao nosso modo de ser e viver.

............Estamos re-começando mais um tempo litúrgico, sempre original e instigante: trata-se do Advento. É tempo de preparação, de recomeço e de continuidade.

............É tempo de olhar para a frente, para o futuro. É tempo de conjugar o verbo esperançar. Para isso, é tempo de vigilância, de estar acordados e sempre alertas.

............Esta vigilância evangélica é diferente de medo. Não temos medo do futuro nem da nova vinda do Senhor Jesus, mas sabemos da responsabilidade que temos, ou seja, viver como filhos e filhas de Deus, no amor, na fé e na esperança.

............Por que essa insistência em viver despertos, atentos e lúcidos, como nos pede o tempo do Advento? Porque, como dizia Antony de Mello, a grande tragédia da vida não é tanto aquilo que sofremos, mas aquilo que perdemos. Perdemos muitas oportunidades porque a dispersão e a distração nos acompanham sempre. E isso é justamente o que pretende a espiritualidade do Advento: despertar.

............De vez em quando, deveríamos ter a coragem de deixar ressoar em nós esta pergunta: “Você vive ou simplesmente sobrevive?”; pois o perigo de viver adormecidos ou de maneira superficial nos espreita continuamente. Aqui podemos recordar um texto de Henry Thoreau que se fez famoso graças ao filme “A sociedade dos poetas mortos”: “Fui aos bosques porque queria viver em plena consciência, queria viver a fundo e extrair toda a essência da vida; eliminar tudo o que não fosse a vida, para que, quando a minha morte chegasse, eu não descobrisse que não tinha vivido”. 

............Advento é tempo de darmo-nos conta de que somos finitos e transitórios. Não temos morada definida nesta terra e nem somos donos de nossa vida. O evangelho – o evangelista da vez – nos conta parábola de um homem que foi viajar e deixar os empregados responsáveis para cuidar de sua casa, dizendo que não saberia quando iria voltar. Assim acontece conosco. Somos apenas “caseiros”, não donos de nossa vida. Sempre devemos cuidar para que tudo esteja em dia.

............Advento não é, em primeiro lugar, preparar o natal de vinte e cinco de dezembro, mas o nosso natal, a nossa vida e o nosso encontro definitivo com o Messias.

............E qual é a melhor maneira de se preparar? Viver bem, com alegria e responsabilidade, com humildade e esperança.

............Que este tempo de advento e natal nos ajude a conjugar o verbo esperançar, para que o nosso viver seja cada vez mais um grande hino à vida, à fé e ao amor.