quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

JMJ 2019 no Panamá


             De 22 a 27 de janeiro, Panamá será a sede da JMJ (Jornada Mundial da Juventude). É bom lembrar que a penúltimo – em julho de 2013 – foi no Rio de Janeiro e a última em Cracóvia, na Polônia, de 26 a 31 de julho de 2016. O papa Francisco estará presente e encontrará uma “Igreja jovem e alegre, autêntica, multiétnica e pluricultural, com uma fé viva, com o compromisso de anunciar o Evangelho”. Desta forma o arcebispo do Panamá, dom José Domingo Ulloa Mendieta, definiu a Igreja que receberá o Sumo Pontífice e os cerca de 200 mil jovens provenientes de 155 países que participarão da Jornada Mundial da Juventude.

               O tema desta edição da JMJ é: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”. O Papa Francisco partirá de Roma no dia 23 de janeiro, desembarcando no Panamá na mesma data. Na quinta-feira, dia 24, recebe as saudações do presidente do Panamá, Juan Carlos Varela Rodríguez e de autoridades do país, além de reunir-se com bispos da América Central. Na parte da tarde, participa da cerimônia de abertura da Jornada Mundial da Juventude de 2019, no Campo Santa María la Antigua – Cinta Costera.

               Durante a estadia no Panamá, o Santo Padre terá várias ocasiões para encontrar milhares de jovens. A visita será concluída com a celebração da Santa Missa, no domingo, 27 de janeiro, no grande “Campo San Juan Paul II” – Metro Park, onde são esperados cerca de 250.000 fiéis.
             O hino oficial da Jornada Mundial da Juventude do Panamá 2019, intitulado: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim a tua palavra” (Lc 1, 38), foi composto por Abdiel Jiménez, com produção e arranjos de Aníbal Muñoz, e colaboração de Carlos Samaniego e Ricky Ramírez, profissionais com uma grande carreira musical.

            “Este evento uniu mais de 4 milhões de panamenhos no amor para seus irmãos, sem distinção de religião ou crenças políticas”, explicou Yithzak Gonzalez, Secretário da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal do Panamá, em uma entrevista concedida ao “Vatican News”.

          Um grupo de cerca de mil jovens indígenas provenientes de vários países do mundo se reuniram de 17 a 21 de janeiro de 2019, no território do povo Ngobe de Soloy, na diocese de David, na Jornada Mundial da Juventude Indígenas para compartilhar a mesma fé católica na diversidade de suas culturas ancestrais, suas expectativas e suas lutas.

             Segundo a subsecretária de Atenção ao Peregrino da JMJ, Eydin Solanilla são esperados cerca de 500 bispos e quatro mil jornalistas de todo o mundo. Solanilla destacou que o peregrino não só “terá momentos de catequese”, mas também outras opções como “o festival da juventude que terá palcos para que os jovens convivam com a cultura, a música e a arte”. Ela afirmou que quando os jovens peregrinos receberem o guia preparado pela organização, estes terão todas as informações necessárias para organizar o seu itinerário.



     







quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Fazer a vontade de Deus

            Estamos iniciando um novo tempo litúrgico. É o Tempo Comum, depois do Natal e antes da Quaresma, quando lemos o início da missão de Jesus com o chamado dos discípulos, a proposta do Reino. “No ano C, é Lucas quem nos conduz; ele insiste no seguimento radical de Jesus, ensina-nos a orar, a amar, a perdoar, a nos deixar guiar pelo Espírito, a levar em conta as mulheres, a colocar no centro de nossa vida o acolhimento e a preocupação com os pobres...” (Ione Buyst).
           Neste domingo, celebramos a manifestação de Deus em Jesus, em Caná da Galileia, no contexto de um casamento e aí Jesus realiza o seu primeiro sinal.
           O casamento em Caná é o primeiro dos sete sinais, escolhidos pelo evangelista para revelar Jesus como o Messias e Filho de Deus. É o início da manifestação da glória de Cristo que se plenificará, através de sua entrega na cruz. A água, transformada em vinho, é sinal da vida nova, do vinho novo da salvação, que o Senhor oferece de forma abundante como esposo da humanidade.
           Os discípulos expressam sua adesão a Jesus, através do acolhimento aos sinais de amor e de salvação. O Senhor permanece fiel à aliança e nos cumula de dons para que possamos colocá-los a serviço da edificação da comunidade, criando relações fraternas. Por meio da fé em Jesus Cristo, formamos um só corpo, no mesmo Espírito.
          Maria é modelo de fidelidade à aliança, ao plano de amor de Deus, revelado em Cristo. Com solicitude maternal, ela percebe que “eles não têm mais vinho”. Sua atitude nos ensina a sermos pessoas sensíveis e comprometidas com as necessidades dos irmãos e das irmãs. Maria não cessa de interceder junto ao Filho para que a humanidade alcance a vida em plenitude.
         O encontro com Cristo proporciona experimentar o melhor vinho que salva e dá sentido à nossa festa. Como verdadeiro esposo, Jesus está sempre presente para oferecer o vinho novo, sinal de seu amor e de sua ação libertadora. Somos chamados a distribuir o vinho que o Senhor nos oferece, entre os convidados, para a grande festa da vida. O nosso anúncio deve irradiar a alegria da festa, do banquete do Reino.
        As Bodas continuam e somos também convidados... Quando a relação com Deus se resume num jogo complicado de ritos externos, de regras e de obrigações que é preciso cumprir, a religião torna-se um pesadelo insuportável que tiraniza e oprime.
Jesus veio nos revelar Deus como um Pai bondoso e terno, que fica feliz quando pode amar os seus filhos. É esse o "vinho" que Jesus veio trazer para alegrar a "aliança": o "vinho" do amor de Deus, que produz alegria e que nos leva à festa do encontro com o Pai e com os irmãos.
       A nossa "religião" deve ser um encontro com o Jesus, que nos dá o vinho do amor. Deve nos levar a fazer tudo o que Jesus nos ensinou, a vontade do Pai.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Santa Paulina, primeira santa do Brasil

           Santa Paulina é considerada a primeira santa do Brasil. Seu dia é celebrado a 9 de julho.
         Ela é a segunda filha de Antônio Napoleone Visintainer e Anna Pianezzer e nasceu em 16 de dezembro de 1865, em Vígolo Vattaro, Trentino Alto Ádige, norte da Itália. Recebeu dos pais o nome de Amábile Lúcia Visintainer.
          Em 1875, quando tinha nove anos, migrou com sua família para o Brasil, país que adotou como sua pátria, estabelecendo-se na localidade de Vígolo, em Nova Trento, Santa Catarina. Sua mãe faleceu no ano de 1887 e ela cuidou da família até seu pai contrair novo casamento.                             
        Desde criança, ajudou na paróquia de Nova Trento, engajada na vida pastoral e social. Até que, em 12 de julho de 1890, deu início à Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, junto a sua amiga Virginia Rosa Nicolodi. Elas cuidavam de Angela Viviani, em fase terminal de câncer, num casebre doado por Beniamino Gallotti. Após a morte da enferma, em 1891, juntou-se a elas Teresa Anna Maule. As três transferiram a Congregação para a cidade de Nova Trento em 1894.
       Em 1903, foi eleita superiora geral, por toda a vida. Nesse mesmo ano, foi para São Paulo, para cuidar dos ex-escravos idosos e crianças órfãs, filhas de ex-escravos e pobres na região do Ipiranga.
Já em 1909, quando a Congregação cresceu nos estados de São Paulo e Santa Catarina, Madre Paulina foi deposta do cargo de Superiora Geral pela autoridade eclesiástica e enviada para Bragança Paulista, a fim de cuidar doentes e asilados, onde testemunhou humildade heroica e amor ao Reino de Deus. Compreendendo que a obra é de Deus e não sua, submeteu-se humildemente e permaneceu por nove anos naquela missão.
     Foi chamada a viver na sede Geral da Congregação em 1918. Testemunhou uma vida de santidade e ajudou na elaboração da História da Congregação e no resgate do Carisma fundante.
      Santa Paulina morreu aos 76 anos, na Casa Geral em São Paulo, dia 9 de julho de 1942, com fama de santidade, pois viveu em grau heroico as virtudes de fé, esperança e caridade e demais virtudes.
   Foi canonizada pelo Papa João Paulo II, em 19 de maio de 2002, na Praça de São Pedro, no Vaticano, e passou a ser chamada de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
    Em Nova Trento foi construído um Santuário em seu louvor, considerado o mais ecológico do Brasil, local cheio de espiritualidade, louvor e cuidado com a natureza.
     Atualmente, o Santuário Santa Paulina recebe cerca de setenta mil visitantes ao mês, chegando a quase um milhão de visitas ao ano.


Ó Santa Paulina, que puseste toda a confiança no Pai e em Jesus e que, inspirada por Maria, decidiste ajudar o povo sofrido, nós te confiamos a Igreja que tanto amas, nossas vidas, nossas famílias, a Vida Consagrada e todo o povo de Deus. Santa Paulina, intercede por nós, junto a Jesus, a fim de que tenhamos a coragem de lutar sempre, na conquista de um mundo mais humano, justo e fraterno. Amém





quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

A boa política está a serviço da paz


         Na mensagem para o Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco trata do tema da boa política, que deve estar a serviço da paz.
        Jesus, ao enviar em missão os seus discípulos, disse-lhes: “Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz esteja nesta casa! E, se lá houver um homem de paz, sobre ele repousará a vossa paz; se não, voltará para vós” (Lc 10, 5-6).
          Oferecer a paz está no coração da missão dos discípulos de Cristo. E esta oferta é feita a todos os homens e mulheres que, no meio dos dramas e violências da história humana, esperam na paz. A casa, de que fala Jesus, é cada família, cada comunidade, cada país, cada continente, na sua singularidade e história; antes de mais nada, é cada pessoa, sem distinção nem discriminação alguma. E é também a nossa casa comum: o planeta onde Deus nos colocou a morar e do qual somos chamados a cuidar com solicitude. E o Papa nos diz: “Eis, pois, os meus votos no início do novo ano: A paz esteja nesta casa!”
         A paz parece-se com a esperança de que fala o poeta Carlos Péguy; é como uma flor frágil, que procura desabrochar por entre as pedras da violência. Como sabemos, a busca do poder a todo o custo leva a abusos e injustiças. A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas, quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, pode tornar-se instrumento de opressão, marginalização e até destruição.
          “Se alguém quiser ser o primeiro diz Jesus – há de ser o último de todos e o servo de todos” (Mc 9, 35). Como assinalava o Papa São Paulo VI, “tomar a sério a política, nos seus diversos níveis – local, regional, nacional e mundial – é afirmar o dever do homem, de todos os homens, de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade”.
          Com efeito, a paz é fruto dum grande projeto político, que se baseia na responsabilidade mútua e na interdependência dos seres humanos. Mas é também um desafio que requer ser abraçado dia após dia. A paz é uma conversão do coração e da alma, sendo fácil reconhecer três dimensões indissociáveis desta paz interior e comunitária:
        – a paz consigo mesmo, rejeitando a intransigência, a ira e a impaciência e – como aconselhava São Francisco de Sales – cultivando «um pouco de doçura para consigo mesmo», a fim de oferecer «um pouco de doçura aos outros»;
        a paz com o outro: o familiar, o amigo, o estrangeiro, o pobre, o atribulado…, tendo a ousadia do encontro, para ouvir a mensagem que traz consigo;
       a paz com a criação, descobrindo a grandeza do dom de Deus e a parte de responsabilidade que compete a cada um de nós, como habitante deste mundo, cidadão e ator do futuro. (Resumo do Texto do Papa Francisco)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Natal é acolher, dialogar, cuidar e encontrar

Natal é vida que nasce,
Natal é Cristo que vem,
Nós somos o seu presépio,
A nossa a casa é Belém

            O natal é a celebração do Deus que, em Jesus, assume a carne humana. A condição humana – frágil, limita e mortal – se torna lugar de manifestação de Deus. Ele fez sua morada entre nós, na carne de um ser humano.
            O natal manifesta a determinação de Deus em querer encontrar o ser humano na sua fragilidade, propondo uma forma de acolher e cuidar de cada pessoa em sua singularidade e dignidade.
            Natal é acolher! Deus não desiste dos homens e por isso sempre encontra meios de bater a nossa porta. “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa” (Ap 3,21). Em tempos de insegurança temos medo de abrir as portas e isto pode impedir de acolher o Senhor que quer habitar em nossa casa, fazer refeição conosco e oferecer a salvação. São tantas as batidas em nossas portas: telefone, whatsApp, vendedores… Abrir a porta requer atitudes de discernimento, acolhida e hospitalidade.
            Natal é dialogar! Deus, para realizar o seu projeto de amor, recebeu a acolhida de Maria. Inicia um diálogo com ela que termina com as palavras de Maria “Eis a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38). O diálogo requer escuta, argumentação, proposição e respeito entre os dialogantes. O diálogo possibilita conhecer as pessoas e criar laços de solidariedade e amizade. O contrário do diálogo são os fundamentalismos. Que aprendamos a dialogar com Deus e as pessoas.
            Natal é cuidar! Todas as criaturas necessitam de cuidado. O ser humano com a sua criatividade e inteligência tem uma imensa capacidade de desenvolver meios de cuidado e de destruição. Ao mesmo tempo em que assistimos imensos avanços na medicina para cuidar da vida, assistimos o desenvolvimento de tecnologias que geram a morte. “Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa” (Mt 1,24). Deus restabelece a confiança de José em Maria e ele passa a cuidar de Maria e de Jesus. Cuidar uns dos outros é sinal de escuta da vontade de Deus.
            Natal é encontrar“Encontrarão um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12). Os pastores, em sua simplicidade, acolheram a mensagem do anjo e foram ao encontro do Deus menino, deitado na manjedoura. Só o encontraram por que abriram a porta da sua vida e assim estabeleceram um diálogo.

            “Vem Senhor Jesus, o mundo precisa de ti!”
            Feliz e abençoado natal a todas e todos. Com Cristo Jesus!


terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Bispo, servo de Deus


          A Diocese de Bagé acolhe, no dia dezesseis de dezembro, seu quinto bispo, nomeado no dia vinte e seis de setembro pelo Papa Francisco. Ele escolheu como lema do seu ministério episcopal Eu vim para servir. D. Cleonir Paulo Dalbosco inspirou-se no evangelho de Marcos, capítulo dez, versículo quarenta e cinco, para escolher seu lema e propósito de sua missão.
          O lema sempre traz embutido uma proposta de vida e de missão. Recordemos os lemas dos outros quatro bispos de Bagé. D. José Gomes, natural de Erexim, que ficou como bispo de 1961 a 1968, tinha como lema Amar um ao outro. D. Ângelo Feliz Mugnol, natural de Farroupilha (Caravagio), bispo de 1969 a 1982, escolheu para seu ministério Fiz-me servo. D. Laurindo Guizzardi, religioso carlista, de Nova Bassano, terceiro bispo diocesano, Tudo pelos eleitos. D. Gilio Felicio, nosso quarto bispo, nascido em Sério, escolheu Evangelizar a todos.
           O Papa Francisco fala em três características essenciais que devem fazer parte da vocação de um bispo: ser homem de oração, de anúncio e de comunhão.

            A seguir, três características essenciais de um bispo descritas pelo Papa:
1. Homem de oração
            O Santo Padre explicou que um bispo é sucessor dos Apóstolos e, como os Apóstolos, é chamado por Jesus a estar com Ele, por isso, “diante do tabernáculo aprende a entregar-se e a confiar no Senhor”, porque é onde “encontra a sua força e a sua confiança”.
            “Assim amadurece n’ele a consciência de que também de noite, quando dorme, em meio ao cansaço e suor no campo que cultiva, a semente amadurece.  A oração para o bispo não é uma devoção, mas uma necessidade; não é mais uma tarefa entre outras, mas um ministério de intercessão indispensável".

2. Homem de anúncio
            O bispo, sucessor dos Apóstolos, “recebe como próprio o mandato que Jesus deu a eles: ‘Ide e anunciai o Evangelho’”.
            “‘Ide’: o Evangelho não se anuncia estando sentado, mas pondo-se em caminho. O bispo não vive em escritório, como um administrador empresarial, mas no meio do povo, pelas estradas do mundo, como Jesus. Leva o seu Senhor onde não é conhecido, onde é desfigurado e perseguido”.

3. Homem de comunhão
              O bispo é homem de comunhão. “Ele não pode ter todos os dons, o conjunto dos carismas, mas é chamado a ter o carisma do conjunto, ou seja, a manter unidos, a cimentar a comunhão”. “A Igreja precisa de união, não de solistas fora do coro ou de condutores de batalhas pessoais. O Pastor reúne: bispo para seus fiéis, é cristão com seus fiéis. Não faz notícia nos jornais, não busca o consenso do mundo, não tem interesse em tutelar o seu bom nome, mas ama tecer a comunhão”.
            “Não sofre de falta de protagonismo, mas vive radicado no território, rejeitando a tentação de ausentar-se frequentemente da Diocese e foge da busca de glórias para si”, acrescentou o Papa.
           "Portanto, sejam homens pobres em bens, ricos em relações, nunca sejam duros e resmungões, mas afáveis, pacientes, simples e abertos".




 

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Advento


       Advento é uma palavra que na cultura antiga tinha o significado de visita solene de um personagem importante. Para os cristãos lembra a vinda gloriosa do Cristo no fim dos tempos.
           De acordo com as Normas do Ano Litúrgico, “o tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades de Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa” (NALC 39).
             Segundo a tradição da liturgia, esta piedosa e alegre expectativa se desenvolve durante quatro semanas. Seu suporte, como em todos os tempos litúrgicos, são os domingos.

       Entre a celebração da primeira vinda e a expectativa da segunda acontece uma vinda intermediária. Cristo vem até nós de forma misteriosa, principalmente, através de sua Palavra, dos Sacramentos e dos irmãos e das irmãs, especialmente daqueles mais empobrecidos e excluídos. Este dado da fé tem sua explicitação bem clara no II Prefácio do Advento: “Agora e em todos os tempos, ele vem ao nosso encontro, presente em cada pessoa humana, para que o acolhamos na fé e o testemunhemos na caridade, enquanto esperamos a feliz realização do seu Reino”. Mais que a vinda de Cristo, nós esperamos a chegada de seu Reino. João Batista, tentando preparar o povo judeu para a vinda do Messias, pregava a proximidade do Reino: “Arrependam-se, porque o Reino dos Céus está próximo” (Mt 3,2).
          As leituras feitas nas celebrações durante o Advento apresentam Cristo como aquele que prometeu voltar, orientando-nos para que vigiemos e esperemos a sua volta. A vida cristã, por isso, se caracteriza pela esperança e pela vigilância, já que não sabemos nem o dia nem a hora em que o Senhor vai chegar.
              A cor litúrgica é o roxo porque o Advento é o tempo em que se misturam alegria e renúncia. Enquanto nos alegramos com a vinda do Senhor, somos chamados à conversão, que exige penitência.
         O Advento se divide em duas grandes partes. A primeira compreende as duas primeiras semanas que acentuam a expectativa escatológica. Pedimos para que “caminhando entre as coisas que passam, abracemos as que não passam”; para que “coloquemos nossas esperanças nos bens eternos” e para que “ nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do Senhor que vem”. A segunda parte, que compreende as duas últimas semanas, se volta mais para o nascimento do Senhor. Começa com um canto de alegria: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto”.
            Aproveitemos bem este tempo que a Igreja, através de sua liturgia, nos coloca à disposição, pois como nos lembra o grande liturgista Romano Guardini: “O Senhor veio uma vez para todos, mas ele deve vir sempre de novo para cada um de nós”.