quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Sentes compaixão?

 

- V Jornada Mundial do Pobre –

 

           A Jornada Mundial do Pobre foi instituída pelo Papa Francisco para ser celebrada anualmente como compromisso de todos os cristãos para com as obras de misericórdia, no domingo anterior à Solenidade de Cristo Rei. Neste ano, será no dia 14 de novembro. A “comemoração” tem a finalidade de nos lembrar de que os pobres são uma realidade constante e desafiadora para todos nós, como cidadãos e, mais ainda, como pessoas de fé. Os pobres questionam constantemente nossa vida e nossa organização social, econômica e política. Por que há tantos pobres? Por que não conseguem sair da pobreza? O que pode ser feito para que eles consigam superar o estado de pobreza em que se encontram?

        Este ano, diante da expressão pobres sempre tereis no vosso meio (Mt 14,7), somos questionados a nos perguntar: sentes compaixão?, um convite a não ter indiferença frente ao sofrimento das pessoas em situação de vulnerabilidade e à crescente pobreza socioeconômica que assola mais 51,9 milhões de brasileiros e brasileiras.

           Somos convidados a colocar em prática o caminho da santidade, que se dá mediante a proposta das Bem-aventuranças. Este é um compromisso permanente para todos nós, batizados. Toda vida, a vida toda. As bem-aventuranças são nossa carteira de identidade cristã. Todos temos um longo caminho a percorrer.

          Um convite para todos e todas: nesta semana que antecede a Jornada Mundial do Pobre, vamos fazer algum gesto concreto, indo ao encontro de uma pessoa em situação de pobreza e vulnerabilidade. Não só para levar coisas, mas sobretudo para levar a bondade e a misericórdia de Deus. Termos a capacidade de sentar com, ouvir, deixar o outro e a outra falar. Termos a capacidade de escutar mais e falar menos, ver mais, sentir compaixão. Ver no pobre um irmão, ver o próprio Cristo, que nos diz: Eu estava com fome e tu me deste de comer.

 

 

sábado, 4 de setembro de 2021

  Palavra de Deus, Palavra de Vida 

         O Mês da Bíblia 2021 nos traz para estudo e leitura orante a Carta aos Gálatas: “Pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28d): Encontros Bíblicos.

Paulo escreve seis capítulos. O centro da carta está em 5,1: “Foi para a liberdade que Cristo nos libertou”. Tudo converge para esse ponto, e o que segue é decorrência. Esse pensamento conclui o que veio antes e dá início ao que vem depois.


A Bíblia deve ser familiar a todos nós. Devemos ser íntimos com a Palavra de Deus.

Cada cristão, cada cristã deve ter a sua Bíblia. Uma boa edição, atualizada, com os recursos que os estudiosos colocam ao nosso alcance. Um bom entendimento do texto bíblico começa com uma boa tradução. Alguns gostam de sublinhar ou marcar os textos mais importantes, fazer anotações... A nossa Bíblia deve ter o nosso cheiro, o nosso jeito.

Depois, precisamos conhecer bem a edição bíblica que temos em mãos. Ver quais recursos que ela nos oferece. Ler a introdução ao Livro a ser estudado, ler as explicações no rodapé, conferir os mapas para localizar geograficamente onde fica, por exemplo, a Galácia. Algumas edições têm o glossário, explicando as palavras mais difíceis.

Quanto mais acessarmos a estes e outros recursos. Mais entenderemos e gostaremos da Palavra Sagrada. O ditado – ninguém gosta do que não conhece -, vale muito para o entendimento da Bíblia. 

 

 

sábado, 3 de abril de 2021

 

Páscoa sempre renovada

          


          A Páscoa é um tempo de começar uma vida nova, na certeza de que, nas mãos de Deus, até a morte pode transformar-se em vida.

          É a festa mais importante dos cristãos. Até a lua se enfeita, toda cheia e toda bonita, para anunciar a beleza da vida que vence todas as mortes e todas as desesperanças, todos os medos e todas as escravidões.

        É a festa da ressurreição do Senhor e da nossa libertação. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1) anuncia o apóstolo Paulo, que virou hino da Campanha da Fraternidade. É para construir pontes e derrubar muros que Ele anunciou o mandamento novo do amor. É para unir o que estava dividido que Ele ressuscitou

          É a festa da nossa libertação da servidão do pecado que nos impede de amar e de ser livres interiormente, que impede a sociedade de ser justa e fraterna. Uma opressão que gera escravidão, miséria, violência, tráfico de pessoas e toda forma de servidão.

          CRISTO VIVE! Vive para nós hoje, realizando no coração de nossas vidas e da história o processo de libertação. Vive para sempre, constituindo-se assim na esperança de que essa libertação não se frustrará, mas, ao contrário, no término da história, viveremos como pessoas novas e totalmente livres, exatamente como Ele, na felicidade de nossa própria ressurreição.

            CRISTO VIVE! Ele é a causa de nossa esperança e a fonte de nossa fé. Fé que nos faz encontrá-lo em suas manifestações invisíveis, mas tremendamente vivas em nossas vidas, ou nas realidades que nos cercam, positivas ou desconcertantes.

       CRISTO É NOSSA PAZ! Em tempos de pandemia e de tantas mortes, Ele vem nos dar forças e garantir que a morte não tem a última palavra: a vida vence todas as mortes

       A PÁSCOA nos faz caminhar e viver na e da fé. Sempre renovando a nossa caminhada. Essa é a fé pascal, que deve ser o foco de nossa vida.


sábado, 19 de dezembro de 2020

 

Natal é reconstruir a esperança

“Deus amou tanto o mundo, que nos deu o seu Filho único, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

            Natal é Deus conosco, é reconstruir a esperança, em todos os tempos, também em tempos de pandemia.

             Natal é tempo de relembrar a bondade de Deus para conosco.

             Natal é tempo é acolher a proposta divina, o Príncipe da Paz.

             Natal é tempo de renovação: é tempo de perdoar, recomeçar, reinventar-se.

           Natal é tempo de ser solidário, não por um dia ou por uma semana: a vida toda, todos os dias, todos os anos. E ser solidário é ser humano, é ser justo, lutar pela igualdade e fraternidade, partilha e direitos iguais, onde a justiça e a paz se abraçarão.

               Natal é tempo de dizer não à corrupção e à violência.

               Natal é tempo de construir a paz.

             Natal é tempo de superar preconceitos e racismos e propor saídas para um mundo melhor.

             Natal é tempo de anunciar que é, sim, possível um mundo melhor, um outro mundo possível. Deus acreditou em nós e nos enviou o que tinha de mais precioso: o seu próprio Filho.

            Feliz e Abençoado Natal!

 






 

sábado, 28 de novembro de 2020

 

Deus está conosco:

Reconstruir a Esperança

          Advento: tempo de esperar, tempo de esperançar!

Advento: tempo de preparar, tempo de acolher.  

Advento: tempo de cuidar, tempo de reinventar a nossa fé e a capacidade de viver um NATAL diferente.

Estamos fazendo nossa travessia, como José e Maria:

·        Com cuidado, mas não com medo;

·        com distanciamento, mas não com isolamento;

·        com cautela, mas não com medo.

 Natal é vida que nasce, Natal é Cristo que vem, nós somos o seu presépio, a nossa casa é Belém.

Deus vem ao nosso encontro, assumindo a nossa condição humana, menos no pecado. Ele se faz um de nós: se torna humano para nos divinizar.

Que neste Natal cada um de nós reavive sua fé, fortifique seu compromisso de pertença ao seu projeto, alimente sua esperança. Em família, em comunidade. Somos todos irmãos e irmãs.

 

domingo, 20 de setembro de 2020

 

A Bíblia e o chimarrão 

          Setembro é lembrado por muitas comemorações e celebrações. Quero destacar duas neste nosso olhar de fé de hoje: mês da Bíblia (para os católicos) e a Semana Farroupilha.

            O que ambos têm em comum? A tradição. A hospitalidade. A busca e o cultivo da fraternidade. O criar laços e construir pontes.

          Tomar chimarrão é um hábito e uma tradição, herdada dos índios e cultivada por todos os gaúchos, sejam brasileiros ou não. Conhecemos toda a mística do tomar o mate.

            É bom tomar mate sozinho. Principalmente quando queremos estar sós, meditando, estudando, rezando... Nas madrugadas da vida ou nas solidões dos estudos. Mas é muito bom também sorver o chimarrão com a família, com os amigos, no lazer ou no trabalho, nas visitas ou nas reuniões.

            O mate aproxima, não afasta ninguém. Todo mundo, conhecido ou estranho, recebe a cuia, que irmana, cria amizade e cumplicidade.

 Para quem nunca tomou, faz cara estranha, fala que é “quente, amargo, ruim, horrível...” Mas na medida que vai se habituando, nunca mais deixa de tê-lo como companhia.

Tudo o que falei acima, vale igualmente para a Bíblia Sagrada. E ela é a Palavra de Deus.

Para quem nunca ou pouco lê a Bíblia, diz “que é muito difícil, insossa, não consigo entender o que leio, não tem graça”, etc... Mas na medida em que a vamos tornando próxima de nós e vamos criando o hábito da leitura diária e seu, nunca mais a deixamos.

É bom ler a Bíblia sozinho, no silêncio do quarto ou do escritório, na cozinha ou embaixo de uma árvore ou em outro local. Até acompanhado de um bom mate. Precisamos dela. Mas melhor ainda é lê-la com os outros: na família, no grupo de oração ou de estudo, na comunidade, na Igreja. Para quem não está habituado, vai estranhar nas primeiras vezes. Mas depois que criar o gosto, nunca mais vai largar. E vai sentir falta quando não puder participar.

Existem muitos jeitos de se fazer o chimarrão. Cada um descobre o seu. Não existe uma receita só. Assim também com a Bíblia. Quero apresentar um jeito. Cada um deve descobrir o seu.

Como ler a Bíblia

        É preciso dedicar um tempo diário para estudar e meditar a Bíblia: pode ser pela manhã, logo após o acordar; ou, depois do almoço ou da janta; ou, Antes de dormir; ou, ainda, qualquer outro horário que se adapte ao seu tempo livre. A quantidade de tempo também pode ser livremente estabelecida: dez, quinze, trinta minutos ou mais. Quanto mais tempo você tiver, melhor!

          É necessário dividir o tempo: um terço de leitura e dois terços de estudo e oração.   Assim se você resolver dedicar quinze minutos diários, use cinco minutos para leitura e dez minutos para o estudo. Após estabelecer o horário que melhor o satisfaça, cumpra-o rigorosamente, não esquecendo nem adiando nenhum dia, mesmo que se sinta cansado. Lembre-se: devemos amar a Deus sobre todas as coisas!

            Com a Bíblia na mão e o caderno de anotações, inicie o seu estudo com uma oração ao Espírito Santo, pedindo que o ilumine. Selecione a leitura. Você poderá seguir a sugestão da Igreja e ler as leituras programadas para o tempo litúrgico ou ler a Bíblia na forma sequencial, particularmente sugiro que se comece pelo Novo Testamento (este ano estamos sugerindo o livro do Deuteronômio). Após a leitura, inicie o estudo, tomando nota das passagens que mais o tocam e as coloque em prática.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

                                  Abre a tua mão para o teu irmão 

“Veja bem! Não deixará de haver pobres no meio da terra. 

É por isso que eu lhe ordeno:  abra a mão em favor do teu irmão, do seu pobre e do seu necessitado, na terra onde você está” Dt 15,11). 


 

         Em tempos especiais, mais do que nunca é preciso ter gestos e atitudes especiais. Este ano estamos mergulhando do tema do cuidado com a vida, ainda motivados pela Campanha da Fraternidade, mas sobretudo pela pandemia que atingiu a humanidade.  


         As leis sempre devem proteger os mais fracos e vulneráveis, os fracos e indefesos. Os fortes sabem se defender e os que têm igualmente. Uma lei que privilegia os ricos, os poderosos, os fortes, é uma lei injusta e discriminatória. 


        Três categorias são consideradas como as mais vulneráveis na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento: os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. E Jesus, na Parábola do Juízo Final, em Mateus 25, 31-46, se identifica com eles, nas obras de misericórdia.  


      O Livro do Deuteronômio foi escrito para ajudar a organizar a sociedade pós exílio. É como se hoje o Papa Francisco está escrevendo uma encíclica para os tempos pós pandemia, recordando que somos todos irmãos. 


          É um livro que propõe que devemos usar a lei do amor. Se Deus nos ama, nós devemos amar a Deus. E amar a Deus é ser fiel à sua Aliança e colocar em prática os seus mandamentos, “que são gravados no coração” (Dt 6,6).

 

     O amor é gratuidade e exigência. Deus não escolheu Israel pela importância ou qualidades que ele não possui. Deus o ama e pede-lhe que retribua esse amor. “Foi por amor a vocês e para cumprir a promessa. É por isso que Javé os tirou com mão forte e os resgatou da casa da escravidão, da mão do faraó, rei do Egito” (Dt 7,8).  


         Deus é fiel à Aliança e quer que o seu povo também seja fiel. E todo o conjunto de leis, normas, decretos e prescrições do Livro do Deuteronômio são para ajudar neste caminho. E para quem observa estas leis “tudo correrá bem. Assim você vai prolongar sua seus dias” (Dt 4,40). 


          Vale a pena ler e estudar o Livro do Deuteronômio, sugerido como estudo para este ano.